quarta-feira, 8 de março de 2006

Duas apostas na absolvição (08/03, atualizado)

Atualização 2: O plenário também absolveu o Professor Luizinho (PT-SP). Faltaram 74 votos para condená-lo. Clique aqui para ler mais.

Atualização 1: O plenário acaba (20h) de absolver Roberto Brant (PFL-MG). Faltaram 101 votos para condená-lo. Clique aqui para ler mais.
Abaixo, reportagem publicada com o título "Duas apostas na absolvição", no Correio Braziliense de hoje.

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Plenário da Câmara julga primeiro processo de Roberto Brant, cujo relator pede sua cassação. Julgamento de Professor Luizinho será realizado logo depois.

Alon Feuerwerker

O plenário da Câmara dos Deputados retoma hoje a votação de processos contra parlamentares acusados de receber recursos ilegais do caixa 2 petista, o mensalão. Vão a voto, pela ordem, o ex-ministro da Previdência (governo FHC) Roberto Brant (PFL-MG) e o ex-líder do governo Lula, Professor Luizinho (PT-SP). Ao longo do dia de ontem, as apostas entre os deputados apontavam para a absolvição de ambos, ainda que no caso do petista as previsões sejam de uma margem estreita. Para a perda do mandato, é necessário que no voto secreto 257 dos 513 parlamentares optem pela cassação.

Brant pode ser especialmente beneficiado pela ordem de entrada dos processos na pauta. Além do PSDB e do PFL, que trabalham ativamente para salvá-lo, Brant deve ter também forte apoio nos partidos que têm parlamentares na fila das cassações (PT, PP e PL). A condenação do ex-ministro de FHC representaria quase uma sentença de morte prévia para os que ainda vão ser julgados. Brant admitiu ter recebido R$ 103 mil do empresário Marcos Valério para sua campanha à prefeitura de Belo Horizonte em 2004, mas diz que foram uma contribuição da Usiminas. Nem a empresa nem Valério confirmaram a versão de Brant.

Ainda que esteja otimista, o deputado mineiro mostrava ontem cautela. Brant já avisou que se evitar a cassação hoje abandona a vida pública no final do ano, quando termina seu mandato. "Isso é como na guerra: mesmo ganhando não haverá motivo para sorrir", disse, antes de insistir que confia no "senso de justiça da Casa". Ele mandou aos deputados sua defesa por escrito. Devem falar a favor do pefelista na sessão o deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ) e o líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ). Brant não tem advogado. "Não defendendo o meu mandato. Estou defendendo a minha honra."

Luizinho
O ex-líder do governo Lula rejeitou a tese de que tenha sido prejudicado pela decisão do presidente Aldo Rebelo (PCdoB-SP) de colocar em votação dois processos no mesmo dia. Teoricamente, os deputados poderiam resistir a uma dupla absolvição, pelo temor da repercussão. "Serei julgado pelos fatos, pelos atos praticados, não pela ordem de entrada do processo em plenário. Ofende todos os parlamentares dizer que quem está em segundo é prejudicado." O deputado petista é acusado de ser beneficiário de R$ 20 mil do esquema montado por Marcos Valério Fernandes de Souza. O dinheiro foi sacado por um assessor. O petista diz que não sabia da operação, o que foi confirmado pelo assessor, e que os recursos abasteceram campanhas de vereadores do PT no ABC paulista, sua base eleitoral.

Luizinho informou que na última sexta-feira enviou a todos os 512 deputados um telegrama no qual pede o apoio de cada um dos parlamentares e que eles leiam os documentos do processo. Para tentar garantir a leitura, ele enviou hoje aos deputados uma pasta com a cópia de todos os documentos que considera importantes para sua defesa. "Estou totalmente convencido de que os deputados vão analisar cada caso individualmente. Os fatos dizem que sou inocente", afirmou.

O plenário já julgou até agora quatro processos. Cassou Roberto Jefferson (PTB-RJ) e José Dirceu (PT-SP) e absolveu Sandro Mabel (PL-GO) e Romeu Queiroz (PTB-MG). Depois de Brant e Luizinho, devem ir semana que vem a plenário os pepistas Pedro Henry (MT) e Pedro Corrêa (PE). Na semana seguinte, Wanderval Santos (PL-SP) e João Magno (PT-MG). Desses quatro, apenas Henry foi absolvido no Conselho de Ética, que derrotou o relatório de Orlando Fantazzini (PSol-SP) por falta de provas.

1 Comentários:

Blogger Ricardo disse...

O Brasil dá mostras de não ser um país sério. Graças ao aparelhamento da sociedade, não houve uma movimentação, nenhum sinal de indignação com a escabrosa pizza montada.
Do outro lado do mundo, não houve alma viva que tenha perguntado para Palocci se ele não vai sair "rapidinho" daí. Não há a mínima condição dele se manter no cargo. Mas Lula se faz de cego, os jornalistas de mudos (não há ninguém para perguntar sobre Palocci?, e a população de surda. Neste ponto, o PT se deu bem: moveu seu aparato para longe da briga (CUT, UNE e outros agitadores), criou o "todo mundo é assim" e agora canta de galo. Tristes trópicos.

quinta-feira, 9 de março de 2006 03:04:00 BRT  

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