quinta-feira, 16 de março de 2006

A diferença entre Lula e Alckmin no segundo turno não é grande. O problema é como diminuí-la (16/03)

Coloquei acima a tabela com as simulações de segundo turno da eleição presidencial na pesquisa CNI-Ibope divulgada ontem. O cenário que interessa está circulado (clique na imagem para ampliar), mostra Luiz Inácio Lula da Silva com 49% e Geraldo Alckmin com 31%. É o mais importante hoje porque o PMDB acha que está perto de eliminar Anthony Garotinho da corrida, ou liquidando as prévias ou fazendo Germano Rigotto ganhá-las. Se o PMDB não tiver candidato, é possível que tenhamos um "segundo turno no primeiro", com dois nomes polarizando imediatamente as eleições. Mas não afasto a chance de uma "terceira via" incomodar, ou com o PMDB ou com a própria Heloísa Helena (PSol).

Vamos à diferença entre Lula e Alckmin. À primeira vista ela é grande, mas se analisarmos com algum cuidado veremos que não é bem assim. Projeta-se que haverá cerca de 100 milhões de votos válidos para presidente este ano, talvez um pouco menos. Esse 49% x 31% dá 61% x 39% nos votos válidos, 22 pontos percentuais de diferença. Ou pouco mais de 20 milhões de eleitores. Só que os 20 milhões são 10 milhões, porque no segundo turno o voto que sai de um vai para o outro.

É esse hoje o tamanho do problema de Alckmin num cenário de polarização com Lula, algo em torno de 10 milhões de eleitores. Ou cerca de 10% do eleitorado válido. O governador de São Paulo precisa mudar a opinião de um em cada dez votantes. Não parece ser coisa do outro mundo. Talvez por isso Alckmin venha dizendo que as pesquisas não são um problema para ele.

Mais importante do que saber o tamanho da diferença entre Lula e Alckmin é conhecer quem a compõe. Sem grande dificuldade, eu chutaria que se trata de um segmento formado principalmente por eleitores de renda menor e de posições políticas mais identificadas com a esquerda. O desafio de Geraldo Alckmin é penetrar nesse universo do eleitorado. É complicado, porque o tucano não deixou uma marca social em suas administrações nem tem raiz ideológica na esquerda.

Se tivesse que fazer uma aposta, acho que seus marqueteiros já devem estar atrás da história, das imagens e dos depoimentos do jovem Alckmin, vereador e prefeito pelo MDB, o partido de oposição na ditadura (1964-1985).

2 Comentários:

Blogger Regis disse...

formado principalmente por eleitores de renda menor e de posições políticas mais identificadas com a esquerda."

O eleitor brasileiro não possui ideologia. Ele vota em pessoas e só decide o voto na véspera da eleição. Existe uma enorme diferênça em disputar uma eleição entre dois candidatos e entre um presidente e um candidato, o que é muito mais difícil para os concorrentes.

Por isso a pergunta em toda pesquisa deveria ser: "Lula pára ou continua?", deixando de lado todos os outros canditados, pois o eleitor vai votar em "Lula" ou "contra Lula", pois o único adversário capaz de batê-lo é ele mesmo...

quinta-feira, 16 de março de 2006 09:37:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

regis

Possui ideologia sim. Há'éstudos que mostram que o brasileiro essencialmente vota em matizes ideológicas bastante consolidadas, mesmo que não se perceba claramente isso. Pegue a Primeira Leitura de 2002, que o André Singeer mostra como o voto brasileiro é consistente do ponto de vista ideológico.
Quanto à marca de "esquerda" de Alckmin, quem viu as primeiras declarações nas rádios e ontem no SBT Brasil, viu que ele flagrantemente está querendo dizer que está mais à esquerda do que querem vender. Falou que macroeconomia não está mais em discussão, mas a economia real que precisa ser atacada. Isso está bem longe da direita.

quinta-feira, 16 de março de 2006 11:47:00 BRT  

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