quarta-feira, 1 de março de 2006

De triunviratos, troikas e regências trinas (01/03)

Meu amigo Reinaldo Azevedo classifica de ignorância chamar de triunvirato o trio tucano teoricamente encarregado de coordenar (decidir, em tucanês) a escolha do nome do partido para concorrer com Lula em outubro. Aliás, um dos três, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, resolveu ir esquiar no Canadá nesses dias tranqüilos para a agremiação. Reinaldo diz que o termo está mal colocado, que remete a um período da história de Roma sem paralelismo com a situação atual do PSDB.
Este blog é um que usa o termo com freqüência nos comentários sobre o melê tucano. Das coisas que respeito na imprensa brasileira, uma é a erudição do Reinaldo. Mas dessa vez ele está errado. Diz o Houaiss que a palavra pode ser usada para descrever situações ("magistratura exercida por três pessoas") como a do grupo formado por Aécio, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE).
Mas triunvirato não é a única expressão disponível para o caso. Poderíamos falar em troika. A palavra russa designa um conjunto de três. Uma troika comandou a União Soviética após a queda de Nikita Khrushchev. Este, aliás, já havia participado de um duumvirato (de dois) com Georgy Malenkov.
No Brasil, tivemos as regências trinas, que governaram por um período após a abdicação de D. Pedro I e antes do Golpe da Maioridade, que permitiu a D. Pedro II chegar ao trono com 15 anos de idade. Mais recentemente, houve a Junta Militar de três que assumiu o poder na doença e impedimento do presidente Arthur da Costa e Silva em agosto de 1969.
Parece-me que todos esses casos são parecidos. Divide-se o poder quando um chefe sozinho não dá conta. Você, leitor, decide qual termo usar. Não presisa ter pressa, pois essa minissérie tucana ainda promete alguns capítulos. Se fosse em inglês, e o termo ainda não tivesse sido utilizado, poderia chamar-se Lost. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve estar assistindo, atento e feliz, com a pipoquinha e o refrigerante na mesinha ao lado da poltrona.

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4 Comentários:

Anonymous Artur disse...

E quem leu o texto ontem à noite, como eu, riu um bocado com a tal "ignorância": na versão original se falava de triunvirato como fenômeno exclusivo pós-morte de César, com citação explícita de Marco Antonio e Otávio e com referência zero aos triunviratos de César.
O douto articulista percebeu a falha (ou perceberam-na para ele), retificou o artigo e nem mencionou a mudança. Tudo muito erudito.

quarta-feira, 1 de março de 2006 09:57:00 BRT  
Blogger Caboclim disse...

Para evitar esse grave problema de imprecisão diacrônica, que tal usar a analogia do Dr. Ulysses e chamar de "Os Três Patetas"?

quarta-feira, 1 de março de 2006 10:02:00 BRT  
Anonymous Marcus Pessoa disse...

OK, o Reinaldo Azevedo é seu amigo, mas eu não o considero fonte relevante de análise política, uma vez que ele é um defensor incondicional de José Serra e do PSDB. Alguém que se coloque tão partidariamente em favor de um candidato tem motivos muito particulares para fazer tais reparos.

quarta-feira, 1 de março de 2006 12:58:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Não concordo com esse último comentário. Todos têm alguma preferência política. Não há imparcialidade nesse ramo nobre da atividade humana.

quarta-feira, 1 de março de 2006 13:12:00 BRT  

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