domingo, 12 de março de 2006

Chega de paulistas

Nada contra Serra ou Alckmin. Mas o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo (foto Iano Andrade/CB), acha que em 2010 presidente tem de ser de outro estado

Alon Feuerwerker
(Publicado no Correio Braziliense em 12 de março de 2006)

Na reta final da corrida tucana para ver quem será o candidato à Presidência da República, o governador de Goiás, Marconi Perillo, 43 anos, avisa: depois de 16 anos de presidentes com origem política em São Paulo, em 2010 será preciso abrir oportunidades para outros estados. Ele recebeu o Correio na residência oficial em Goiânia, o Palácio das Esmeraldas, na última quinta-feira, quando fervia a disputa entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito de São Paulo, José Serra, pela legenda tucana na corrida presidencial. Para Marconi, o ideal para o partido é que um dos dois desista e não leve a disputa até o fim. Mas, se isso não acontecer, o melhor é convocar uma pré-convenção até o fim deste mês. O governador de Goiás não apóia o fim da reeleição e diz que a campanha presidencial vai permitir comparar as administrações do PSDB e do PT. Ele minimiza as pesquisas eleitorais: “Na minha primeira eleição de governador, em 1998, eu comecei com 3%, contra 74% do meu adversário. Em 88 dias, eu virei a eleição e venci. Em 2002 também comecei aqui numa situação bem adversa. E venci no primeiro turno.”

Serra ou Alckmin, governador?

Nós estamos apreensivos com essa discussão e com essa decisão. Achamos que o melhor para o partido é que haja um entendimento entre o próprio Geraldo Alckmin e o José Serra. Ambos são muito respeitados, são lideranças históricas do PSDB, fundadores do PSDB, realizam gestões muito bem avaliadas, no governo de São Paulo e na prefeitura de São Paulo. São duas referências nacionais. O Serra tem toda uma história, que começou desde o movimento estudantil, na Presidência da UNE. É um intelectual e líder brilhante. Está fazendo uma bela gestão em São Paulo. Tanto é que as pesquisas, quando ele é comparado com a ex-prefeita Marta Suplicy, botam ele lá em cima. E o Geraldo conclui o sexto ano como governador, muito respeitado e com alta credibilidade lá em São Paulo. Então, o que nós do partido esperamos é que os dois possam se entender, e a melhor equação para essa situação que o partido vive hoje é a desistência de um em apoio ao outro.

Mas isso vai acontecer?

É o que nós esperamos que ocorra até domingo agora, de preferência. O partido é a instância deliberativa máxima. Se eles não se decidirem, nós vamos ter que decidir. Mas até lá eu não quero emitir nenhum juízo de valor, tenho uma relação com os dois. Fui o primeiro governador a apoiar a candidatura do Serra em 2002. Goiás foi o primeiro estado onde ele veio no segundo turno da eleição. Fui o único governador a ir ao debate dele contra o (presidente Luiz Inácio) Lula (da Silva) na Globo. Sempre fui solidário ao Serra em todos os momentos. Com relação ao Geraldo, sou colega dele há seis anos. De modo que fica difícil para a gente decidir por eles. Quem tem que tomar essa decisão são eles. Se não tomarem, nós vamos tomar. Podemos chamar uma pré-convenção, já que a convenção oficial é só em junho.

Essa é a sua proposta se o impasse persistir, uma pré-convenção?

Ocorre que o partido tem uma tradição de tomar decisões por consenso em relação à disputa presidencial e à própria formação do diretório nacional. Essa é uma marca do PSDB. Às vezes, as coisas se acirram mais, há uma discussão, mas acabam se resolvendo consensualmente, com base no bom senso.

Supondo que o partido lance o prefeito, depois de ele ter assumido o compromisso de ficar na prefeitura de São Paulo até o final, isso não seria um problema?

Certamente que é um problema. Mas, se o partido tomar a decisão, se o Geraldo resolver apoiar o Serra, aí nós teremos que apresentar à opinião pública, contundentemente, o nosso desejo de ter essa candidatura a presidente e mostrar a relevância disso, e depois correr o risco das cobranças eventuais.

Do outro lado, o presidente Lula está num bom momento. Está na frente nas pesquisas. Se o partido escolhe um candidato que não é o mais competitivo, não está transmitindo ao eleitorado a mensagem de que falta vontade de ganhar a eleição?

O PSDB quer disputar para ganhar esta eleição. Eu tenho duas experiências aqui no estado que eu acho que podem balizar essa disputa presidencial. Na minha primeira eleição de governador, em 1998, eu comecei com 3%, contra 74% do meu adversário. Em 88 dias, eu virei a eleição e venci. Em 2002 também comecei aqui numa situação bem adversa. E venci no primeiro turno. O Geraldo já enfrentou, junto com o Covas e sozinho, eleições consideradas difíceis, e ganhou. Nós todos sabemos que as pesquisas têm um valor muito pequeno neste momento. Elas revelam faces momentâneas da nossa realidade.

Qual vai ser a mensagem do PSDB na campanha eleitoral?

Eu acredito que numa campanha eleitoral o Geraldo vai polarizar com o presidente Lula e vai comparar dois governos. O dele em São Paulo e o do Lula no Brasil. Vai mostrar seus resultados na educação, na segurança pública e no desenvolvimento. Como é que você compara as rodovias federais com as de São Paulo? A disputa vai ser nesses parâmetros. São Paulo é uma Argentina. Ele vai mostrar o que o governador de São Paulo fez num estado que tem o tamanho e as proporções da Argentina. E mais: o que cada um propõe em relação às questões do endividamento, dos juros, do emprego, da habitação, do saneamento. Da mesma maneira o Serra. Ele vai mostrar o que fez em pouco tempo na prefeitura da São Paulo. Ele economizou R$ 400 milhões só com o lixo em um ano. Não é à toa que o Serra está indo bem. É porque ele é um grande gerente. Eu não me preocupo com pesquisa. Estou convencido de que o Geraldo vai para a campanha com tudo, para ganhar a eleição. Estou convencido de que o Serra, da mesma maneira, vai para a campanha com tudo, para ganhar a eleição. E acho que serão belos presidentes, pois são patriotas, têm espírito público e são preparados.

E a alternativa de Geraldo Alckmin ser candidato a presidente e José Serra a governador de São Paulo?

Eu não tive nenhuma informação maior a respeito. Ouvi apenas pela imprensa. Teria alguma dificuldade de emitir opinião.

O PSDB é um partido paulista?

Em 2010, nós vamos completar 16 anos de presidentes paulistas. Isso porque dificilmente o próximo presidente deixará de ser paulista. Depois disso, com certeza haverá uma pressão muito forte, inclusive no meu partido, no sentido de que os outros estados possam ter acesso e oportunidades. É claro que se você tem reeleição e o PSDB ganha a presidência, o presidente é candidato à reeleição. Agora, mesmo sendo um presidente paulista dá para a gente ter um equilíbrio nacional, desde que as discrepâncias regionais sejam observadas, desde que haja um projeto de nação que priorize a federação. Você não pode ter uma federação enfraquecida, como agora no governo Lula.

O senhor apoiaria o fim da reeleição?

Não. Eu sou contra o fim da reeleição. Na época em que foi instituída a reeleição, eu apoiei, e não apenas para reeleger o presidente Fernando Henrique Cardoso, embora eu considerasse importante que ele fosse reeleito. O instituto da reeleição em geral premia os governantes que têm uma atuação melhor, que são mais competentes, que trabalham mais, que oferecem melhores resultados à sociedade. Os desvios têm que ser combatidos na Justiça. A reeleição permite ao governante dar seqüência aos projetos mais consistentes.

4 Comentários:

Blogger Ricardo disse...

São Paulo nunca governou o país: essa história de trajetória política em SP só serve para esconder o fato de que SP é refém dos demais estados quando no Governo Federal. Antes do Sr. Marconi Perillo dizer "chega de paulistas", eu digo "chega de nossa baixa representatividade, chega de estados nanicos, chega de coronéis, chega de empulhação". O Governo de FHC foi um governo quase carioca (governado pela banca dos pirañas), Lula é um governo que esqueceu SP para fazer proselitismo no Nordeste. Agora talvez tenhamos a chance de eleger alguém que imprima o melhor de SP para o resto do país: a competitividade, as institui';cões mais sólidas do país e o desenvolvimento.

domingo, 12 de março de 2006 12:41:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Manifestações de regionalismo não ajudam em nada o desenvolvimento do País, em pleno século XXI. Várias vezes já foram feitas considerações a respeito da divisão do País, independência de Estados etc. O interessante é saber porque não prosperaram. Sozinhos nçao seriam nada, é isso. Não é caso de "governo paulista" ou outro. É caso de governar. Simples.

domingo, 12 de março de 2006 15:47:00 BRT  
Blogger Mari Ceratti disse...

O Marconi tem vontade de sair candidato em 2010?

terça-feira, 14 de março de 2006 12:19:00 BRT  
Blogger ricardoorsi14k disse...

As afirmações são inveridicas pois DESDE WASHINGTON LUIZ (NASCIDO EM CAMPINAS) NÃO SE ELEGE UM PRESIDENTE PAULISTA, a maior parte foram mineiros, gauchos e cariocas, FHC é carioca, Lula e nordestino. O partido PSDB apoiou Marconi Perilo e agora ele gospe no prato que comeu.

quinta-feira, 4 de março de 2010 10:49:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home