segunda-feira, 13 de março de 2006

Aliados de Serra querem a disputa (13/03)

Alon Feuerwerker
(Trecho de reportagem publicada no Correio Braziliense de 13/03)

Em reuniões e conversas telefônicas ao longo do fim de semana, os apoiadores tucanos da pré-candidatura do prefeito de São Paulo, José Serra, à vaga na corrida presidencial decidiram que ele deve disputar a legenda do PSDB na instância que for estabelecida pela direção partidária.

Uma decisão final de Serra deve ser tomada até hoje (segunda-feira) à noite, mas foi o próprio prefeito quem deu, na última sexta-feira, o sinal verde para a mobilização de seu grupo político. Até então, Serra dizia que só colocaria seu nome se tivesse o apoio preliminar do outro pré-candidato, o governador paulista Geraldo Alckmin.

Até a noite de ontem, o prefeito analisava pesquisas qualitativas sobre os possíveis efeitos eleitorais de sua saída da prefeitura de São Paulo com dois anos e nove meses de mandato a cumprir. Na campanha, em 2004, Serra prometeu ficar no cargo até o fim. Faltava também uma última conversa com alguns apoiadores mais próximos, que antes da sexta-feira davam sinais de preferir que o prefeito disputasse o governo de São Paulo.

No entorno de Alckmin, a movimentação dos serristas era vista com ceticismo. “O Serra disputar com o Geraldo vai contra a lógica. Na terça-feira o Geraldo será anunciado candidato. Essa fatura está liquidada”, disse à noite um deputado federal alckminista que falou reservadamente ao Correio Braziliense.

Diante da possível decisão de Serra de lutar pela legenda contra um irredutível Geraldo Alckmin, o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), já admitia ontem a interlocutores anunciar amanhã apenas o critério de escolha do nome –e não o candidato, como o próprio Tasso chegou a garantir na última sexta-feira, após reuniões separadas da cúpula tucana (o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Tasso e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves) com o prefeito e o governador.

É possível também que o triunvirato indique um nome e deixe ao outro o ônus de contrariar a decisão. A batida do martelo seria então dada pelo Diretório Nacional do PSDB, a ser convocado pela Executiva Nacional nos próximos quinze dias. Os prazos legais de desincompatibilização para os candidatos às eleições de outubro esgotam-se no fim deste mês.

As avaliações iniciais de serristas e alckministas são de que Serra tem maioria na executiva mas que no diretório a situação é de equilíbrio. Os dois lados dizem ter ligeira maioria, mas sem convicção.

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