segunda-feira, 6 de março de 2006

Agência Estado: A dobradinha Alckmin-Serra para enfrentar Lula-Marta (ou Lula-Mercadante) (06/03)

Hoje à tarde, a Agência Estado distribuiu o despacho abaixo, do repórter Ariosto Teixeira. O jornalista traz novas informações sobre assunto tratado aqui em 19 de fevereiro na nota Alckmin, Serra, Aécio e um Maia contra Lula? e no dia seguinte em reportagem do Correio Braziliense (Alckmin não recua):

"16:02 PSDB AVALIA LANÇAR SERRA PARA GOVERNO E ALCKMIN PARA PRESIDÊNCIA

Brasília, 6 - A definição do candidato do PSDB à Presidência da República pode ter se encaminhado para um desfecho surpreendente nos últimos dias. A alternativa em exame considera a renúncia do prefeito José Serra para candidatar-se não ao Palácio do Planalto, mas ao governo do Estado de São Paulo, em dobradinha com o governador Geraldo Alckmin, que seria escolhido para enfrentar o projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A informação sobre o encaminhamento de um acordo nessa direção no PSDB foi obtida junto a uma fonte do partido com acesso aos bastidores da candidatura do prefeito José Serra. Ela foi posteriormente confirmada à Agência Estado, como "opção em exame", por fonte bem informada sobre os bastidores da campanha do governador Geraldo Alckmin. A Agência Estado ouviu a mesma informação de um alto executivo do mercado financeiro que, na semana passada, conversou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos coordenadores do processo de definição da candidatura tucana.

A viabilidade de tal acordo dependeria também de um compromisso prévio de Alckmin em não se candidatar à reeleição em 2010, caso vença Lula, e de apoiar, no primeiro ano de mandato, uma proposta de emenda constitucional para acabar com o princípio da reeleição para prefeitos, governadores e presidente da República. Serra teria, assim,a perspectiva de disputar a Presidência dentro de quatro anos, que fazia parte de seus planos originais quando aceitou candidatar-se a prefeito.

A cogitação dessa fórmula deve-se a evolução análise sobre as conseqüências de eventual derrota do projeto presidencial tucano, seja com Alckmin, seja com Serra como candidatos, em contexto no qual falta ao PSDB um nome competitivo para o Palácio dos Bandeirantes. As últimas pesquisas sobre intenção de voto para governador mostraram o favoritismo da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), seguida da forte candidatura do ex-governador Orestes Quércia (PMDB), e dos prováveis candidatos tucanos em último lugar com índices irrelevantes de apoio.

O cenário da disputa paulista acendeu a luz amarela no comando tucano. A eventual derrota do candidato presidencial tucano poderá transmitir-se para a eleição estadual. No caso de Serra ser o derrotado no confronto com Lula, o PSDB perderia a prefeitura, que já é dele, e ficaria fora do poder estadual. Na hipótese de Serra ficar na prefeitura, Alckmin perder a eleição presidencial e o PSDB a estadual, o partido também se enfraquecerá numa posição isolada em São Paulo.

A fórmula da dobradinha Alckmin/Serra seria uma aposta "corajosa em uma chapa fortíssima", que além de pacificar internamente o partido atrairia, já no primeiro turno, a aliança com o PFL, que herdaria a prefeitura paulistana, segundo a fonte ouvida pela AE. O compromisso com o fim da reeleição atenderia as expectativas não apenas do prefeito paulistano, mas também do governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que se for reeleito governador tornar-se-á pretendente natural à candidatura presidencial em 2010."

Segundo post do site Primeira Leitura das 18h33, "o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati, negou (...) que o prefeito de São Paulo, José Serra, esteja debatendo a possibilidade de ser o candidato tucano ao governo do Estado de São Paulo, abrindo espaço para a candidatura presidencial do governador Geraldo Alckmin. 'De jeito nenhum. O que está se discutindo agora é a Presidência da República. Não estamos discutindo o governo do Estado, que será discutido depois', disse Tasso".

3 Comentários:

Anonymous Marcus Pessoa disse...

Eu comentei isso antes e reafirmo agora: pode parecer até um arranjo engenhoso esse, mas, como dizia Garrinha, "combinaram com o adversário"?

Se o desgaste de Serra ao deixar a prefeitura para uma candidatura presidencial já seria enorme, imagine se fosse para uma mera candidatura ao governo do Estado. Acho que seria uma aposta muito mais arriscada do que simplesmente lançar Alckmin e deixar Serra na prefeitura. O compromisso com o fim da reeleição não dependeria disso.

terça-feira, 7 de março de 2006 00:55:00 BRT  
Anonymous Marcelo Passos disse...

Caro Alon,

Vai aqui uma contribuição para o seu blog.

Aconteceu em 1992, durante a campanha eleitoral norte-americana.
Bill Clinton tentava se eleger e George Bush (o velho), tentava se reeleger.
James Carville era o Duda Mendonça de Bill Clinton (pois é, a moda pegou...).
O marketeiro oficial decidiu que a campanha de Bill Clinton precisava ter um foco específico. Por isso, reza a lenda, Carville sempre escrevia em quadro próximo do ex-presidente: “It`s the economy, stupid”.
Tudo bem, parece coisa de técnico de boxe falando para seu pugilista nos intervalos da porradaria. Mas, bem ou mal, Clinton foi eleito e, como nunca foi estúpido, fez dois ótimos governos.
Pois é, deu no site do Joelmir Beting e no Estadão de domingo:

“O perfil de consumo das classes C, D e E, melhorou no país nos últimos quatro anos.



Em quatro anos, o consumo dessa imensa camada, com renda familiar de meio a seis salários mínimos, o consumo cresceu exatos 50%, em termos reais.

Com direito, no perfil dos gastos, a uma sofisticação tipo up grade: mais eletrodomésticos, mais produtos de higiene e cosméticos, mais celulares, mais entretenimento.

Ou, como revelara o DataFolha, em pesquisa de janeiro: 47% dos eleitores acham que o Brasil de Lula está no caminho certo e 66% juram que o presidente é o único político brasileiro que "entende os problemas dos pobres deste país".

Eis um fundamento microeconômico que pode ajudar a explicar a recuperação de Lula nas pesquisas eleitorais. Claro, não se ignora aqui o fato de a crise política ter esfriado a partir de meados do fim do ano passado. Também não se despreza o fato de o PSDB e PFL nunca terem estado muito à vontade na oposição.

Todavia, é possível supor que o povo das classes C, D e E, que nunca foi estúpido e, ao contrário, sabe das coisas. Por intuição, sabedoria inata ou instinto de preservação, mesmo com o tsunami moral que inundou o país no ano passado, pode ter percebido que, de alguma forma, seu padrão de vida vêm melhorando.

terça-feira, 7 de março de 2006 05:03:00 BRT  
Anonymous Artur disse...

Marcus,
Advogando contra a minha própria posição - vou votar em Lula nas próximas eleições e acho Alckmin o candidato mais perigoso, aquele com mais possibilidades reais de derrotar o que apoio: essa história do "desgaste" pelo abandono de cargo pesa pouquíssimo no grosso do eleitorado. É pura espuma "nossa", de classe média "ética"

terça-feira, 7 de março de 2006 08:59:00 BRT  

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