quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

Serra disputa em qualquer ringue (22/02)

Aliados do prefeito de São Paulo garantem que o político enfrentará todos os eventuais fóruns do PSDB para escolha do candidato à Presidência da República

Alon Feuerwerker (em São Paulo)

Publicado no Correio Braziliense em 22 de fevereiro de 2006 - O nome do prefeito José Serra estará colocado em qualquer processo de consulta que o PSDB faça internamente para definir quem vai ser o candidato do partido à Presidência da República. Até ontem, a posição oficial dos serristas era que ele só entraria na disputa se recebesse um chamamento unânime dos tucanos. Ainda que sutilmente, o discurso mudou. “É claro que a possível candidatura vai ser posta na mesa para a manifestação do partido”, confirma o deputado federal Alberto Goldman (SP), vice-presidente do PSDB e aliado de Serra. Outros adeptos do prefeito reforçaram reservadamente ao Correio: mesmo que ele não se coloque por iniciativa própria, seus correligionários lutarão dentro do PSDB para que Serra tenha maioria nas instâncias partidárias que deverão ser ouvidas pela Executiva Nacional. Obtida a maioria, acreditam que estará configurado o “chamamento”.

O novo movimento dos serristas coloca um obstáculo inesperado diante do outro pré-candidato, o governador paulista, Geraldo Alckmin, cujos aliados sonham com uma vitória pela ausência de oponente. O raciocínio dos alckministas é simples: se Serra diz que só será candidato por unanimidade, basta não haver a unanimidade para que ele não seja candidato. Em outras palavras, o destino político de uma candidatura Serra estaria nas mãos de Geraldo Alckmin, que na prática ficaria com poder de veto dentro do partido. O movimento serrista ao admitir a disputa procura desativar essa armadilha. Ontem, Alckmin realizou uma ampla ofensiva política para mostrar força. Pela manhã, ouviu o apoio unânime da bancada tucana na Assembléia Legislativa de São Paulo. Depois almoçou com o triunvirato encarregado de coordenar a escolha do nome: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o senador e presidente do PSDB Tasso Jereissati (CE) e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Entre os dois compromissos, recebeu Serra no Palácio dos Bandeirantes para a assinatura de um convênio entre governo e da prefeitura. Serra ironizou a grande presença de jornalistas, evidentemente pautados para cobrir a sucessão presidencial: “Eu queria agradecer à imprensa pelo extraordinário interesse que demonstra aqui por esta ação cultural, é comovente”. Serra e Alckmin estiveram juntos por meia hora antes do evento, mas oficialmente suas assessorias informaram que não trataram da sucessão. No almoço com os cardeais, Alckmin reafirmou sua candidatura, disse que não insistirá em prévias, mas gostaria que o partido fosse consultado. Ouviu dos três que a consulta será feita, mas que a premissa é o escolhido ter o apoio de todos. Alckmin concordou. Houve acordo no almoço para que a definição aconteça até o dia 12 de março, e também o compromisso de o candidato, se eleito, apoiar o fim do instituto da reeleição, inclusive para ele próprio.

Na saída, o senador Tasso Jereissati disse que lutará para que haja um entendimento entre os dois pré-candidatos. "Se eu não conseguir, terá sido a grande derrota política da minha vida", afirmou o ex-governador do Ceará. Tasso enfatizou que as pesquisas —que dão vantagem a Serra sobre Alckmin— serão “apenas um dos critérios” e reforçou especialmente a idéia de que cada um dos dois, Serra e Alckmin, deve pesar “as circunstâncias”. Enquanto o governador está no final do segundo mandato —foi vice de Mário Covas, mas assumiu com a morte do governador e reelegeu-se em 2002—, Serra teria que deixar a prefeitura dois anos e nove meses antes de terminar o mandato arrancado de Marta Suplicy na eleição de 2004. “Serra tem que refletir, vamos esperar pela decisão dele”, afirmou Tasso. “O processo está em boas mãos”, apoiou Alckmin, referindo-se ao trio composto por FHC, Tasso e Aécio.

Iniciativa
A decisão dos serristas de disputar, se preciso no voto, a indicação pode permitir ao prefeito a retomada da iniciativa política que nos últimos dias tinha se deslocado para o campo do governador. Ambos travam um jogo de xadrez desde pelo menos dezembro, quando as pesquisas apontavam grande fragilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os tucanos vislumbravam a possibilidade de ganhar com qualquer candidato. De lá para cá, Lula cresceu e o PSDB está voltado para dentro em busca do consenso, já que nem Serra é a garantia de que o partido vai vencer, nem Alckmin é a certeza de que será derrotado. As pesquisas internas mostram o prefeito empatado tecnicamente com Lula num segundo turno e Alckmin mais atrás. O PSDB precisa estar unido em São Paulo para ter chances contra Lula.

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