quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

PSol e PDT querem Heloísa no Planalto e Cristovam no Buriti (09/02)

Em negociação aberta, os dois partidos tentam fechar aliança em torno de Heloísa Helena para o Palácio do Planalto e emplacar senador pedetista como candidato ao Governo do Distrito Federal

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 9 de fevereiro de 2006 - O PDT e o PSol estão perto de fechar um acordo para apresentar candidato único à Presidência da República. O mais provável é que a aliança se dê em torno da senadora Heloísa Helena (PSol-AL). Outro movimento possível é a unidade dos dois partidos para lançar o senador Cristovam Buarque ao Governo do Distrito Federal (GDF). A aproximação entre as duas legendas é feita às claras. A reunião de ontem que discutiu o assunto aconteceu no cafezinho do Senado. “Não temos nada a esconder”, diz o deputado federal João Fontes (PDT-SE).
Além da própria Heloísa, de Buarque e Fontes, participaram da conversa no Senado o presidente do PDT, Carlos Lupi, o outro pré-candidato do PDT ao Planalto, senador Jefferson Peres (AM), e o deputado e ex-ministro Miro Teixeira (PDT-RJ). Na saída, foram unânimes em dizer que, antes dos nomes, irão discutir um programa de governo. “Nosso objetivo é construir uma alternativa à falsa polarização entre o PT e o PSDB”, disse Lupi. “Temos de lutar para evitar um novo estelionato eleitoral”, reforçou Miro Teixeira.
Na campanha eleitoral deste ano, a possível coligação PDT-PSol pretende bater na tecla de que um próximo governo do PT ou do PSDB irá investir contra conquistas históricas dos trabalhadores, como a CLT e os direitos previdenciários inscritos na Constituição. “Vamos exigir na campanha que todos os candidatos digam claramente o que irão fazer se chegarem ao governo”, diz Lupi. “Não pode ser como agora, quando o PT escondeu que iria atentar contra os direitos dos trabalhadores.” Na última pesquisa Datafolha, Heloísa Helena aparece com até 9% de intenções de voto, no cenário em que Geraldo Alckmin é o candidato do PSDB e Germano Rigotto, do PMDB.
Outro dado que anima os correligionários da senadora alagoana é que apenas 50% do eleitorado a conhece. Alckmin, por exemplo, já é conhecido por 71%. A rejeição da senadora também é baixa, 19%. Heloísa Helena chega a 16% de intenção de voto entre os eleitores com nível superior e alcança 12% entre os mais jovens. Outro dado positivo, segundo o Datafolha, é que sua votação é razoavelmente homogênea.
No PSol e no PDT, a avaliação é que a senadora pode disputar em igualdade de condições a corrida contra as grandes legendas se tiver um mínimo razoável de estrutura partidária nos estados e tempo de televisão. Heloísa, entretanto, diz que a preocupação com o resultado não vem em primeiro lugar. “Se fosse por isso, seria candidata em Alagoas, onde lidero todas as pesquisas para o Senado e para o governo estadual”, argumenta.

Embaralhado
Uma possível candidatura de Cristovam Buarque ao GDF pela coligação PDT-PSol pode embaralhar o já complicado quadro da sucessão no DF. O Palácio do Planalto gostaria que o PT apoiasse o ministro Agnelo Queiroz, do PCdoB. Mas os petistas resistem e querem a candidatura própria. Na base de apoio do governador Joaquim Roriz, há pelo menos cinco pré-candidatos.

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