quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

PSDB e PFL querem pressa (08/02)

Líderes tucanos e pefelistas pretendem antecipar a escolha do candidato da aliança para a primeira quinzena de março. A estratégia é dividir espaço público com o adversário Luiz Inácio Lula da Silva

Alon Feuerwerker e Luciene Soares

Correio Braziliense, 8 de fevereiro de 2006 - Os principais líderes do PSDB e do PFL no Congresso querem acelerar a escolha do candidato tucano à sucessão presidencial e ter o nome definido até a primeira quinzena de março. Essa posição foi consensual em reunião ontem entre o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), o vice-presidente, deputado Alberto Goldman (PSDB-SP), o secretário-geral, deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), o líder no Senado, Arthur Virgílio (PSDB-AM), o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e o líder no Senado, José Agripino (PFL-RN).
A reunião concluiu que uma definição rápida é vital para a costura da aliança nos estados e para que o candidato comece a dividir as aparições públicas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A última pesquisa Datafolha mostra recuperação de Lula, ainda que o prefeito de São Paulo, o tucano José Serra, continue em vantagem no segundo turno.
Já os correligionários do outro pré-candidato, o governador paulista Geraldo Alckmin, ensaiam movimento para exigir da cúpula partidária a realização de uma consulta mais ampla para definir o tucano que vai enfrentar Lula. Não descartam, inclusive, a hipótese de uma prévia. Até agora, o entendimento consensual no partido é que o nome seria escolhido pelos cardeais, ouvidas as bancadas de deputados e senadores, os governadores e, principalmente, as pesquisas quantitativas e qualitativas especialmente encomendadas pelo PSDB.
"É para garantir a unidade partidária", defendeu ontem o deputado federal Júlio Semeghini (SP). Semeghini e outros três deputados "alckministas", Affonso Camargo (PR), Sílvio Torres (SP) e Rafael Guerra (MG), tinham reunião prevista para a noite, em que procurariam definir a proposta a ser apresentada à direção do PSDB. Os "alckministas" evitam defender publicamente a alternativa das prévias, para não darem a impressão de que desejam arrastar o partido a uma disputa interna no voto. O próprio Alckmin disparou ao longo do dia telefonemas a líderes tucanos, em que procurou se descolar da iniciativa de suas "bases".

Desgaste
Serra leva vantagem nas pesquisas e tem a preferência da maior parte da executiva nacional do PSDB. Mas diz a todos que só será candidato se receber um chamado partidário. É a forma de minimizar o desgaste por deixar a prefeitura com quase três quartos do mandato a cumprir. Alckmin joga com essa carta e com o temor tucano de colocar todas as fichas na mesa em 2006 e perder. Ou seja, ficar sem a Prefeitura, o governo de São Paulo e a Presidência da República. "Não podemos correr esse risco", confirma Semeghini.
O ideal para Serra seria Alckmin permanecer no cargo até o fim e comandar a campanha tucana no Estado de São Paulo, para eleger o governador e ajudar na eleição do próprio Serra. Mas Alckmin teme que, sem mandato, acabe ficando para trás na fila da candidatura presidencial em 2010. Serra já disse aos tucanos que, se for eleito, acaba com a reeleição, inclusive para ele próprio. Nesse cenário, Alckmin teria que disputar em 2010 a legenda com o provavelmente reeleito governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

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