sábado, 11 de fevereiro de 2006

Primeiras dificuldades para aliança de esquerda no DF (11/02)

Articulação do PDT e do PPS para tentar levar Cristovam Buarque ao Buriti já enfrenta problemas. O PCdoB de Agnelo não abre mão de ter candidato ao GDF e comunicou isso ao senador pedetista

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 11 de fevereiro de 2006 - Já nasce com problemas a tentativa de formar uma frente das correntes políticas que se opõem ao governador Joaquim Roriz (PMDB) e buscam um candidato único à sucessão do Governo do Distrito Federal. O ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz (PCdoB), disse ontem por telefone ao senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que a candidatura dele, Agnelo, é uma decisão irreversível do PCdoB. O diretório regional do PT reafirmou em nota oficial a decisão de lançar candidatura própria.
O partido de Cristovam e o PPS querem a união, mas dizem que não pode haver imposições. O senador afirmou ao Correio que, apesar das dificuldades, está otimista. PPS e PDT estão convocando uma reunião para a próxima quinta-feira, na tentativa de unir as legendas de esquerda, mais o PTB e o PP. Cristovam disse ontem a Agnelo que o PDT tem pré-candidatos, mas que o nome do comunista é uma das possibilidades de consenso. O ministro informou a Cristovam que não há como recuar da candidatura, até porque o PCdoB já tem nome a deputado federal, Fredo Ebling. Fredo foi o outro candidato a senador na chapa de Cristovam em 2002.

Aliança
Agnelo é a aposta do Palácio do Planalto para tentar tomar o Buriti este ano. Luiz Inácio Lula da Silva quer que o PT apóie o ministro para sacramentar a aliança dos comunistas com o presidente na campanha da reeleição. O problema é que os petistas resistem a aceitar essa determinação. O diretório regional do PT marcou suas prévias para 26 de março e informa na nota que só depois vai "oferecer para debate o nome que for escolhido pelo PT, bem como sugerir a ocupação de outras funções na chapa majoritária pelos demais partidos".
Articuladores petistas próximos a Lula dizem reservadamente que o PT-DF não manterá essa posição até o final, e que o candidato escolhido na prévia poderá ser o vice na chapa de Agnelo. Já entre os partidos que se opõem tanto a Roriz quanto a Lula, o problema é a falta de um nome com densidade eleitoral para ser uma força de atração nessa disputa, que hoje ameaça se polarizar entre o rorizismo e o lulismo.
O PPS já decidiu que não vai lançar candidato próprio. PSol e PDT não apresentaram, até agora, nomes capazes de empolgar o eleitorado. O próprio Cristovam tem adotado uma posição cautelosa. Não afasta completamente a possibilidade de entrar na corrida, mas repete sempre que seu projeto é nacional, que mantém sua candidatura à Presidência da República. Na cúpula do PDT, entretanto, cresce a tendência de apoiar a senadora Heloísa Helena (PSol-AL). O outro pré-candidato pedetista ao Planalto, senador Jefferson Peres (AM), poderia ser o vice dela.
Não está decartada a hipótese de a direção do PDT pedir a Cristovam que cumpra uma missão partidária e concorra ao GDF, para dar forte expressão local à alternativa de esquerda que nacionalmente estaria representada por Heloísa Helena. O próprio senador tem afirmado que sua movimentação política tem como objetivo criar um novo caminho à esquerda. As eleições deste ano seriam uma oportunidade de acelerar esse processo.

0 Comentários:

Postar um comentário

<< Home