terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Ofensiva de Alckmin (21/02)

Governador paulista, um dos presidenciáveis do PSDB, recebe apoio hoje da bancada tucana na Assembléia e participa de jantar com os deputados federais em Brasília

Alon Feuerwerker (em São Paulo)

Publicado no Correio Braziliense em 21 de fevereiro de 2006 - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, promove hoje uma ofensiva política com o objetivo de tentar ganhar espaço para sua candidatura à Presidência da República dentro do PSDB. Pela manhã, recebe o apoio da bancada tucana na Assembléia Legislativa de São Paulo, em um café-da-manhã na ala residencial do Palácio dos Bandeirantes. À noite, janta com os deputados federais do partido em Brasília, na residência de Eduardo Gomes (PSDB-TO).

No intervalo entre essas duas reuniões, Alckmin se encontra e almoça com os cardeais encarregados de coordenar a escolha do candidato: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente do partido e senador Tasso Jereissati (CE) e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves. A orientação que Alckmin transmitiu aos adeptos da candidatura é intensificar o trabalho. "Falei com o governador e vamos acelerar os contatos, as conversas, sempre ressaltando a necessidade de o partido ser consultado antes de qualquer decisão", diz o deputado federal Júlio Semeghini (PSDB-SP).

Todo o esforço do alckminismo é para evitar que o triunvirato de cardeais sinta-se à vontade e tome isoladamente uma posição definitiva sobre quem será o nome do PSDB para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se os três tiverem que fazê-lo, o natural é que pendam para o prefeito de São Paulo, José Serra, apontado nas pesquisas encomendadas pelos tucanos como o candidato mais competitivo contra Lula. Os levantamentos, realizados pelo sociólogo Antônio Lavareda, mostram empate técnico entre Lula e Serra num eventual segundo turno, enquanto Alckmin seria derrotado pelo presidente por uma diferença superior a 10 pontos percentuais.

Mas Serra tem dito que só deixa a prefeitura de São Paulo para entrar na corrida presidencial se receber uma convocação do PSDB, já que teria mais dois anos e nove meses de mandato a cumprir. É essa convocação que Alckmin trabalha febrilmente para evitar. Leva a vantagem de o partido estar dividido praticamente ao meio, qualquer que seja a instância consultada. Essa divisão impede, na prática, que se construam as condições para um apelo partidário a Serra. E vai pavimentando a estrada onde Alckmin cria diariamente fatos políticos para apresentar sua candidatura como algo praticamente irreversível.

"Essa obstinação do governador dificulta muito as coisas para o prefeito", admitiu ontem o deputado federal Sebastião Madeira (PSDB-PA), ele próprio um serrista militante. Reservadamente, adeptos de Serra admitem que Alckmin parece disposto a esticar a corda a um ponto em que talvez não possa ser acompanhado pelo prefeito. Por ironia, dizem, a atitude de Alckmin lembra a obstinação do próprio Serra pela legenda tucana em 2002.

Os serristas confiam que a perspectiva de uma candidatura mais competitiva contra Lula vai sensibilizar o partido na hora de decidir. Os alckministas dizem que seu candidato seria o mais natural, por estar no fim do mandato e ter, segundo eles, o apoio maciço da principal seção partidária, a paulista. No meio dessa disputa, os caciques tucanos encarregados de tomar uma decisão parecem cada vez mais distantes do ambiente ideal para fazê-lo. É possível que tomem a decisão de não decidir nada, que deixem a bola para os dois pré-candidatos.

Calendário
Tanto Serra quanto Alckmin precisam renunciar aos mandatos no começo de abril se quiserem concorrer a qualquer coisa em outubro. O governador já disse que deixa o cargo. O prefeito só poderá fazê-lo se tiver a certeza da vitória na convenção de junho e se souber que o partido caminhará razoavelmente unido em torno de sua candidatura. Em meio a tantas variáveis, é possível que a decisão tucana acabe ficando nas mãos apenas do calendário. Em abril, quem estiver preso a algum cargo estará fora da disputa. Nesse quesito, a vantagem é de Alckmin. Como o Serra de 2002, ele tem quase nada a perder.

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