quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Estratégias frágeis de petistas e tucanos (08/02)

Gustavo Patu, na Folha de S.Paulo, e Dora Kramer, em O Estado de S.Paulo, abordam a guerra entre PT e PSDB quando se trata de comparar os governos Fernando Henrique e Lula. Clique no nome de cada um dos jornalistas para ler.
Petistas e tucanos apostam que a eleição de 2006 será um debate sobre o passado. É um lance duvidoso. Claro que eleição é sempre oportunidade para fazer o balanço do que passou. Mas é, principalmente, uma disputa sobre visões de futuro. Ganha a eleição quem melhor ocupar o espaço de condutor das esperanças coletivas de uma vida melhor.
O passado tem seu papel. É currículo, eliminatório. E o bate-boca atual beira à histeria porque faltam argumentos aos dois lados que justifiquem a tentativa de desqualificar a obra do outro.
Os petistas sabem que tentam iludir o povo quando falam mal do governo FHC. Tanto sabem que não revogaram uma sequer das políticas do tucano. Em oito anos, a administração do PSDB matou uma inflação de meio século, institucionalizou a responsabilidade fiscal e os programas sociais de apoio à população mais pobre e consolidou a convivência democrática num país de história marcadamente golpista.
Sim, há as privatizações e as denúncias de corrupção. Bem, o governo do PT não revisou nenhuma das privatizações de FHC, nem avançou na investigação das supostas irregularidades da administração tucana. Então, ou bem o PT é conivente com ações lesa-pátria, ou o alarido deve ser debitado na conta do velho ditado: "Em tempo de guerra, mentira como terra".
Mais evidente ainda é a dificuldade tucana para falar mal de um governo que manteve e aprofundou todas as políticas adotadas pelo PSDB. Lula teve a coragem de elevar o superávit primário para 5% do PIB e apoiar uma política monetária ultra-ortodoxa para impedir a volta da inflação. Menos inflação permitiu mais crescimento, mais emprego e mais renda (Inácio Rangel já ensinava isso). A conseqüência foi também mais dinheiro proveniente de impostos. Por isso, Lula vem batendo todos os recordes em investimentos sociais, mesmo sendo o governo que mais pagou juros da dívida.
Espera-se dos candidatos de 2006 que digam o que propõem para o Brasil deixar de ser a pátria dos juros escorchantes. Espera-se que expliquem como vamos acelerar nosso crescimento para competir com os níveis da India e da China. Espera-se que mostrem como fazer para dar mais segurança à população brasileira e protegê-la do crime e da corrupção.
Alguém que desperte os melhores sentimentos do povo brasileiro em relação a esse desejado futuro pode muito bem deixar petistas e tucanos falando sozinhos.

2 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Por que, no final do post, você não mandou "vote Serra" logo? Nunca vi um texto tão tucano quanto esse. Quer dizer que o governo Lula aplicou as mesmas políticas do governo FHC? Então por que o governo Lula é melhor? Ou é mais competente para aplicar as mesmas políticas (que o governo FHC teve 8 anos para desenvolver) ou faz um governo diferente e melhor.

Marcelo.
Belo Horizonte.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006 11:47:00 BRST  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Marcelo,

Uma coisa difícil em campanha eleitoral é manter a calma. O fato é que o Brasil está num ciclo virtuoso porque um governo de esquerda, apoiado pelos movimentos sociais, mostrou ser capaz de manter/aprofundar o ajuste fiscal. O desequilíbrio fiscal está na raiz da nossa inflação. E a inflação é o mais perverso mecanismo de concentração de renda. Abraço.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006 14:53:00 BRST  

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