segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Alckmin não recua (20/02)

Alon Feuerwerker

Publicado no Correio Braziliense em 20 de fevereiro de 2006 - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não pretende recuar ou abrir espaço para a unção do prefeito da capital paulista, José Serra, como candidato do PSDB à Presidência da República. Essa posição será transmitida aos caciques tucanos na conversa que devem ter nesta semana. Alckmin dirá que cumpriu o determinado pela cúpula partidária, que se tornou um candidato viável para ganhar a eleição e que não é necessário correr o risco de tirar Serra da prefeitura de São Paulo com dois anos e nove meses de mandato a cumprir. Ontem, no interior de São Paulo, Alkcmin, cujo apelido é "picolé de chuchu", disse que na Presidência dele "o Brasil vai crescer pra chuchu" e "nós vamos ter emprego para chuchu".
As preferências partidárias pendem hoje para Serra, mas a posição de Alckmin não deixa de sensibilizar o alto tucanato. A pelo menos um interlocutor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso manifestou recentemente grande preocupação com o risco de derrota de Serra numa disputa contra Lula, se o PSDB não estiver completamente unido e coeso. Hoje, os tucanos têm o governo de São Paulo, a prefeitura da capital e sonham com a Presidência. Do diálogo com FHC, o interlocutor entendeu que o ex-presidente teme o pior: errar na mão e acabar o ano em tragédia, com o partido fora dessas três posições de poder.
Mesmo as pesquisas internas analisadas na semana passada pelos tucanos não são definitivas. Serra está melhor que Alckmin, mas não num patamar confortável para vencer Lula. E os números não autorizam a conclusão de que o governador estaria previamente derrotado pelo petista.

Dream team
Outro problema que atormenta o sono do PSDB são os palanques estaduais em dois lugares decisivos na eleição: São Paulo e Rio de Janeiro. "Quem tem tantos candidatos como nós em São Paulo, na verdade não tem nenhum", diz um deputado federal do PSDB-SP que prefere, por razões óbvias, não ser identificado. Disputam a indicação para suceder Alckmin o ex-ministro Paulo Renato, os deputados federais Alberto Goldman e Aloysio Nunes Ferreira e o vereador da capital José Aníbal, pelo menos. No Rio, a situação é um pouco mais grave. A aliança PSDB-PFL está ameaçada de nem ir a um hipotético segundo turno, pois até agora os nomes mais fortes são os dos senadores Sérgio Cabral (PMDB), aliado do ex-governador e presidenciável peemedebista Anthony Garotinho, e Marcelo Crivella (PMR), que vai apoiar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
Diante desse cenário nada animador, começam a aparecer pressões para um entendimento que envolva quatro posições: a Presidência, o Palácio dos Bandeirantes, o das Laranjeiras e o da Liberdade em Minas. Se prosperarem, Lula corre o risco de ter que enfrentar em outubro não um candidato, mas um dream team (time dos sonhos). O pacto envolveria pelo menos três presidenciáveis: Geraldo Alckmin para presidente, José Serra para governador de São Paulo e a reeleição de Aécio Neves.
No Rio, os tucanos gostariam que o prefeito da capital, Cesar Maia, entrasse na luta pelo governo do estado. Mas há um problema: o vice de Maia é do PSDB, que no Rio faz oposição ao prefeito. Uma solução seria colocar na disputa o líder do PFL na Câmara dos Deputados e herdeiro político de Maia, seu filho Rodrigo Maia.
"Se conseguirmos unir o PSDB e o PFL e lançar candidatos com a força desses nomes em São Paulo, Rio e Minas vamos construir um Triângulo das Bermudas para afundar o Lula e o PT", diz um dos aliados de Alckmin na Câmara.
Falta, agora, combinar com Serra. O prefeito repetiu várias vezes nos últimos dias que só sai do cargo para entrar na corrida presidencial se Alckmin desistir e o partido lhe pedir que assuma a missão. Serra sabe que Alckmin tem força política em São Paulo e que uma divisão paulista seria quase a sentença de morte para a candidatura tucana ao Palácio do Planalto.

1 Comentários:

Anonymous Robert C. da Silva disse...

O geraldo alkmin não tem que recuar mesmo. Chega dessa panelinha tucana! Chega de FHC!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006 00:12:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home