domingo, 22 de janeiro de 2006

Onze pontos para tentar desvendar o enigma tucano (22/01)

1) O PSDB sabe que Luiz Inácio Lula da Silva chega forte à eleição.
As informações reservadas em mãos de políticos do PSDB indicam que o presidente tem alto grau de resiliência. É a capacidade de voltar ao estado original, depois de sofrer uma deformação. Tucanos e PFL já tinham essa avaliação meses atrás, mas as pesquisas de dezembro mergulharam o PSDB no estado de embriaguez do qual começa a sair, depois do choque com os últimos levantamentos Ipsos e Ibope, que mostraram a recuperação de Lula.

2) O PSDB sabe que as pesquisas são importantes, sim.
Desde a volta das diretas para presidente, em 1989, o candidato que lidera as pesquisas no início do horário eleitoral acaba ganhando a eleição. Isso significa que o brasileiro começa a decidir bem antes da propaganda eleitoral gratuita. Essa tradição deve ser reforçada em 2006, pelo efeito inercial da crise. 2005 foi um ano em que o eleitor comeu, bebeu e respirou política. Quem dormir no primeiro semestre de 2006 acordará derrotado.

3) O PSDB acha que pode ir ao paraíso.
No cenário dos mais róseos sonhos tucanos, eles ganham a Presidência e mantém os governos paulista e mineiro, além da prefeitura de São Paulo. Se pudessem escolher livremente (como chegaram a sonhar, até a semana passada), os manda-chuvas do partido trabalhariam com o tripé Geraldo Alckmin presidente, Aécio Neves e um tucano paulista governadores, além de José Serra prefeito. Seria um repeteco de 1994, quando ganharam tudo.

4) Mas o PSDB também sabe que pode descer ao inferno.
É o cenário em que: a) Serra sai da prefeitura e perde a eleição; b) Alckmin sai do governo do Estado (para disputar o Senado) e, sem a caneta na mão, não consegue fazer o sucessor; e c) o desastre nacional dos tucanos vitamina um candidato de oposição a Aécio em Minas. O governador mineiro tem ótima avaliação e é o favorito à sua própria sucessão, mas nunca é demais lembrar que se elegeu em 2002 ainda no primeiro turno porque o PT e Lula fizeram corpo mole em Minas. Para que Aécio não se sentisse estimulado a mergulhar de cabeça na campanha de Serra naquele ano.

5) O PSDB paulista quer a candidatura Alckmin.
Alguns, porque acreditam que o PSDB ganha a eleição com qualquer candidato. A tese esteve em alta até semanas atrás, mas anda em desuso. Outros, porque acham que o risco de uma derrota para Lula é real. Avaliam que, com Alckmin, o custo de perder seria mais baixo. E têm esperança de que, em São Paulo, as forças somadas do partido e de Serra prefeito seriam suficientes para manter o Palácio dos Bandeirantes em mãos tucanas. Principalmente se o alcaide indicasse o candidato a governador. Alguém que, eventualmente, poderia apoiar a postulação de Serra pela legenda presidencial em 2010.

6) O PSDB nacional quer ganhar a eleição.
Os governadores, por razões óbvias. Os senadores e deputados, porque estão adorando fazer oposição mas preferem voltar a ser governo.

7) Qual é a posição de Fernando Henrique Cardoso?
Diferentemente de 2002, FHC quer ganhar a eleição.

8) Qual é a posição de Tasso Jereissati?
Diferentemente de 2002, o agora senador e presidente do PSDB quer que o PSDB ganhe a eleição. Prefere Alckmin, mas está atraído pela musculatura eleitoral de Serra. Precisa de um palanque nacional forte pois está ameaçado no Ceará, onde sua aliança histórica com Ciro Gomes foi rompida. Um irmão de Ciro, Cid, será candidato a governador em aliança com o PT. Tem boas chances de derrotar o tucano Lúcio Alcântara, que quer a reeleição.

9) Qual é a posição de Aécio?
O governador de Minas Gerais quer se reeleger agora e ser candidato a presidente em 2010. Perde pouco se Lula ganhar em outubro, desde que ele próprio seja vitorioso em Minas. Trabalha para arrancar dos dois tucanos paulistas o compromisso de acabar com a reeleição para presidente. Serra já concordou e Alckmin está a caminho, depois de resistir um pouco. Se Lula se mantivesse fora do jogo em Minas, Aécio poderia repetir a “neutralidade branca”de 2002. Mas teme que o Palácio do Planalto acabe bancando um forte palanque estadual para combatê-lo. Por isso, tende a preferir que o PSDB tenha um candidato competitivo.

10) Qual é a posição de Alckmin?
Quer ser candidato a presidente porque: a) acha que pode ganhar e, b) mesmo se perder, acredita que a campanha lhe dará um perfil nacional, que o manteria na disputa pela vaga em 2010, contra Aécio e Serra. Se não conseguir a legenda agora, vai para o fim da fila, ainda que se eleja senador. Se ficar no mandato de governador até o fim, poderá tentar um atalho disputando a prefeitura da capital em 2008.

11) Qual é a posição de Serra?
Quer ser presidente da República, agora ou em 2010. Será candidato se sentir que o partido está com apetite real para ganhar a eleição. Se achar que o PSDB vai de perna mole nessa bola dividida, trabalhará para eleger o governador de São Paulo, reeleger-se prefeito em 2008 e ser candidato a presidente daqui a quatro anos. Como se diz no futebol, é o único que só depende dele mesmo. Se disser “sou candidato”, o partido não terá como lhe negar a legenda.

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