domingo, 1 de janeiro de 2006

À espera de “bombardeio” este ano (01/01)

Amigo afirma que o presidente Lula não vai “entrar na briga para ficar se justificando”, e que caberá ao PT rebater as acusações. Oposição não dá trégua. “O discurso de vítima não cola mais”, diz Bornhausen

Alon Feuerwerker e Luciene Soares

Correio Braziliense, 1 de janeiro de 2006 - O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), acredita que cabe ao seu partido arrumar a casa e cerrar fileiras para que o presidente parta com boas chances na campanha de reeleição. Ele mostra otimismo. "Eu creio que temos muito gás e isso assusta a oposição. Nossos adversários sabem que não nos venceram e que ainda estamos fortes."
Chinaglia diz que o presidente agiu quando tinha que agir sobre as acusações de corrupção, "mas infelizmente essas notícias positivas não ecoaram". Chinaglia acredita que Lula conseguiu descolar-se do escândalo. "As CPIs trouxeram muito calor, mas pouca luz", avalia. O líder confia também na comparação favorável com o governo FHC.
Além da capacidade combativa do PT, o líder elege as realizações do governo como trunfo para o presidente Lula ser reconduzido ao cargo. "Na campanha, as obras desta administração ficarão mais evidentes. E o PT tem argumentos para se explicar à sociedade. Se conseguirmos unir esses dois fatores, não vai ter para ninguém."
O sindicalista e deputado federal Devanir Ribeiro (PT-SP), um dos petistas mais próximos de Lula, diz que o presidente está consciente do "bombardeio" que vai enfrentar. Devanir repassa ao PT a missão de explicar, nos próximos meses, todas as denúncias levantadas ao longo da crise. "O presidente não entrará na briga pela reeleição para ficar se justificando, essa é a tarefa do PT, que deve partir para cima e rebater todas as acusações. Que, aliás, perderam-se no tempo por falta de provas."

Imagem desgastada
A oposição, como é natural, não acredita que Lula consiga reverter a tendência de declínio a tempo de vencer a eleição de outubro. “Não há receitas mágicas para se livrar da pecha da corrupção”, aposta o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), referindo-se aos desdobramentos da crise iniciada em maio. “Além disso, na campanha o PT não terá como dizer que o Lula não sabia de nada. No mínimo, ele sairá com o carimbo de omisso ou incompetente.”
Bornhausen não crê que a comparação com Fernando Henrique Cardoso venha a ser um trunfo para Lula. “A visão de futuro é o que decide as eleições”, argumenta. E diz que o ambiente será bem diferente de 2002, quando acredita que Lula conseguiu emocionar e ficar “blindado” a ataques. “O discurso de vítima não vai colar mais, porque, além de explicar os ilícitos, terá de dizer aos eleitores frustrados por que não cumpriu muito do que prometeu.”
O líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), segue na mesma linha. Segundo o tucano, a imagem pessoal de Lula está arranhada e nem o apelo à origem humilde e ao perfil do homem público empenhado no combate à pobreza dará sustentação à campanha. “A credibilidade do presidente é um vaso de cristal quebrado, não dá para remendar. O governo, o PT e o presidente estão grudados e não dá mais para descolá-los. Até a imagem do pai dos pobres está com os dias contados”, aposta o líder do PSDB.

0 Comentários:

Postar um comentário

<< Home