terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Delfim: "Real foi a mercadoria mais lucrativa em 2005" (17/01)

O Banco Central pode até estar certo tecnicamente, mas politicamente está isolado. O ex-ministro Delfim Netto demonstra hoje no Valor Econômico que o Brasil é um "ponto fora da curva" na equação câmbio-juros. Leia abaixo as conclusões de Delfim em sua coluna semanal. Para ler o texto inteiro e ver os gráficos, clique aqui.
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"Há uma clara relação entre o nível da taxa de juro real vigente no fim do ano e a valorização da taxa de câmbio nominal, sugerindo que pelo menos parte da flutuação cambial é controlada pelo nível da taxa de juro real. (...) A posição do Brasil é extrema: com uma taxa de juro real de fim de período da ordem de 11% temos uma supervalorização cambial da ordem de 12,5%, um ponto consideravelmente fora da curva. A relação é, obviamente, imprecisa, mas mostra que só em 2005 estamos com uma valorização adicional à de 2004 da ordem de 5% a 6%.
É pouco provável que a supervalorização se deva apenas ao sucesso exportador (ajudado pela murcha da importação derivada do pequeno crescimento do PIB) (...). O complemento de valorização se deveu, de um lado às aplicações na Bolsa de Valores (onde o resultado em dólares em 2005 foi de 40% no ano) e, de outro, à compra de reais na Bolsa de Mercadorias & Futuro, com operações de derivativos típicas de arbitragem da taxa de juro que estabelecem o câmbio futuro. A venda bem-sucedida de reais contra dólares (e a sustentação das suas cotações) mostra que nossa taxa de juro real transformou o real na mercadoria mais lucrativa de 2005."

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