quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

Reunião para acalmar ânimos

Correligionários de José Serra tentam diminuir mal-estar com as declarações de Cesar Maia (PFL) em defesa da candidatura do prefeito tucano ao Palácio do Planalto e descartam participação no episódio

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 7 de dezembro de 2005 - Uma reunião de emergência ontem à tarde no gabinete do presidente tucano, senador Tasso Jereissati (CE), tentou assentar a poeira levantada pelas últimas declarações do prefeito do Rio, Cesar Maia, de que só retira sua candidatura à Presidência se o nome escolhido pelo PSDB for o prefeito de São Paulo, José Serra. Durante mais de uma hora, os principais dirigentes tucanos procuraram encontrar um caminho para diminuir o mal-estar causado principalmente entre os correligionários do governador de São Paulo e também pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB).
Participaram do encontro o próprio Tasso, o líder no Senado, Arthur Virgílio (AM), o líder na Câmara, Alberto Goldman (SP), e o secretário-geral, deputado Eduardo Paes (RJ). Os dois primeiros são mais próximos de Alckmin e os dois últimos, de Serra. Os serristas negaram que o prefeito tenha tido qualquer participação no episódio. Os alckministas absorveram a explicação, mas advertiram que se o processo não for conduzido com suavidade o partido pode ser arrastado a uma guerra interna sangrenta e ver comprometidas suas perspectivas eleitorais em 2006.
Os partidários do prefeito na Câmara dos Deputados e no Senado andam incomodados com alguns movimentos de Alckmin. Dizem que o governador tem explorado junto a empresários os temores de que, no Planalto, Serra mudaria a política econômica baseada no câmbio flutuante, no superávit primário e nas metas de inflação. Reclamam ainda da insistência com que partidários de Alckmin e seguidores do governador tucano de Minas, Aécio Neves, insistem, nos bastidores, na tese de que o prefeito não agregaria apoios suficientes para vencer Lula nas urnas.
Nesse aspecto, o movimento de Maia foi recebido com satisfação pelos serristas, por indicar que o prefeito teria melhores condições políticas de estabelecer uma aliança com o principal aliado potencial, o PFL. Cesar Maia é o pré-candidato pefelista ao Planalto. Quem o conhece diz que seu passo em direção a Serra foi também um aviso aos caciques do PFL, para que não pensem em negociar a aliança à sua revelia. "Se os votos são dele, não dá para imaginar que ele vai ficar esperando a cúpula decidir o futuro para depois avisarem-no do que resolveram", diz um aliado do prefeito carioca na Câmara.
Para fechar a coligação com o PSDB, a direção do PFL quer garantir o apoio tucano na disputa pelo governo em alguns estados estratégicos, especialmente Bahia, Pernambuco e, quem sabe, São Paulo. O PFL sonha com um improvável apoio tucano a Guilherme Afif Domingos. Os pefelistas desejam ainda o compromisso de que o vice-presidente terá funções executivas. Marco Maciel foi o melhor vice possível para o Fernando Henrique, mas não foi tão bom assim para o PFL, reclamam os liberais.

Disputa
A intenção inicial dos tucanos ao estimular a disputa entre Alckmin e Serra era permitir uma convergência, no começo de 2006, em torno do nome que reunisse melhores condições de vitória. Mas o plano pode dar errado, conforme a postulação de ambos vai-se tornando irreversível. Os partidários de Alckmin admitem que Serra tem mais popularidade e é mais conhecido. Mas esgrimem com pesquisas qualitativas que supostamente mostrariam um maior potencial de crescimento do governador.
"Eles querem nos comer pelas beiradas, como mingau quente", reclama um aliado do prefeito. "Como quem não quer nada, ficam por aí dizendo que o Serra é um perigo para a economia, que não vai conseguir fazer alianças, que a campanha será muito violenta e outras coisas mais. Não vamos assistir a isso de camarote."
Dos nomes tucanos apresentados nas pesquisas, Serra é até agora o único que vence Lula num hipotético segundo turno. Mas tanto Alckmin como Aécio tem estreitado a margem para o petista. Se essa tendência persistir, o sonho tucano da candidatura natural pode dar lugar a um conflito capaz de rivalizar com as mais animadas disputas internas do PT.

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