sábado, 3 de dezembro de 2005

Palocci pode não ir à CPI

Governistas tentam livrar o ministro da Fazenda de dar mais explicações sobre denúncias que envolvem ex-assessores. Tião Viana é contra a necessidade de novo depoimento na comissão

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 03 de dezembro de 2005 - Silenciosamente, o governo tenta construir uma maioria entre os quinze membros da CPI dos Bingos para evitar a ida do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, à comissão. O depoimento de Palocci já foi aprovado pelos senadores, mas na forma atenuada de “convite”. O presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB), recebeu dos colegas a incumbência de negociar com o ministro uma data, em princípio antes de 10 de dezembro. Mas os dias se passam e o pefelista não consegue fechar um acordo com Palocci. “Confesso que tem sido uma tarefa difícil”, admitiu ontem Efraim.
O primeiro vice-presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC), abre o jogo. “Não vejo necessidade de o ministro ir à CPI”, defende. “Ele já veio à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, já foi à Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, já foi à Comissão do Fundeb. Foram mais de 20 horas de depoimento e o ministro já esclareceu todos os assuntos.” Nas três audiências, Palocci foi beneficiado pela decisão do PFL e do PSDB de não inquiri-lo sobre as denúncias de irregularidades quando era prefeito de Ribeirão Preto, interior de São Paulo.
Há três acusações contra o então prefeito e hoje ministro. Ele é suspeito de organizar um caixa 2 em que a concessionária de lixo, Leão Leão, repassava mensalmente R$ 50 mil para a direção nacional do PT. Também foi citado como responsável pela montagem de uma operação em 2002 para trazer de Brasília a São Paulo dólares de origem cubana enviados para a campanha eleitoral do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Pode ainda estar envolvido numa suposta cobrança de propina para a renovação, em 2003, do contrato da multinacional de loterias Gtech com a Caixa Econômica Federal. As informações nasceram de investigações sobre o ex-subchefe da Casa Civil Waldomiro Diniz e de depoimentos de dois ex-assessores de Palocci em Ribeirão, Rogério Buratti e Vladimir Poleto.

Impasse
Buratti e Poleto já depuseram à CPI, assim como outros dois colaboradores de Palocci: Juscelino Dourado e Ademirson da Silva. Dourado deixou a chefia de gabinete do ministro depois de falar aos senadores, mas Ademirson continua como seu secretário particular. Agora, a comissão está diante de um impasse. Ou ouve Palocci ou muda o rumo das investigações. A CPI, formalmente constituída para investigar a relação entre bingos e financiamento irregular de campanhas do PT, evoluiu para analisar várias denúncias relacionadas ao suposto caixa 2 petista, inclusive a morte do então prefeito de Santo André, Celso Daniel, em 2002.
“Entre os 15 membros da comissão, no momento apenas cinco ou seis estão fechados com a convocação de Palocci”, admite Efraim. São esses números que dão alguma margem de manobra para o Planalto. Os articuladores palacianos estão divididos. Enquanto uma parte defende a ida do ministro o mais rapidamente possível, outros avaliam que o governo já reúne força suficiente na comissão para enterrar de vez a possibilidade de Palocci ter que sentar no temido banco de testemunhas da “CPI do Fim do Mundo”.

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