sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Outras a caminho

Bancada dos ameaçados de degola comemora decisão da Câmara de salvar o parlamentar petebista. A tendência agora é que os outros envolvidos no escândalo do mensalão permaneçam com os mandatos

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 15 de dezembro de 2005 - O plenário da Câmara dos Deputados decidiu ontem que operar recursos de caixa 2 não é crime suficientemente grave para levar à perda do mandato do parlamentar. A intensa articulação da base governista em plenário somou-se ao apoio de parte da oposição e garantiu a salvação do deputado federal Romeu Queiroz (PTB-MG). Além do trabalho de bastidores, comandado pelo ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia, Queiroz teve a seu favor algo que faltou aos réus julgados antes dele: dois deputados da elite da Câmara foram à tribuna para defendê-lo com convicção, o líder do PTB, José Múcio (PE) e o ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury (PTB-SP).
Ao longo de todo o dia, parlamentares de todos os partidos, com exceção do PSol, pediram votos pela salvação de Queiroz. Na bancada do PT, uma possível absolvição do petebista mineiro era vista como a oportunidade de quebrar a lógica de que o plenário da Câmara deveria necessariamente referendar a posição do Conselho de Ética, em todos os casos. Há mais cinco petistas para serem julgados pelo conselho. “Absolver Romeu Queiroz é melhorar as chances de salvar o mandato dos nossos companheiros”, disse ao Correio um deputado petista, na condição de permanecer anônimo.
Queiroz teve a ampla maioria dos votos no PTB, como era esperado, mas também do PP e do PL. As legendas acusadas por Roberto Jefferson de receberem o suposto mensalão deram o apoio decisivo para evitar que 257 deputados referendassem o relatório de Josias Quintal (PSB-RJ) pela cassação de Queiroz, o único petebista na fila das cassações. No início do governo Lula, as três legendas formavam um bloco de cerca de 150 deputados que garantiam a maioria da Câmara ao Palácio do Planalto, já que o apoio ao governo dentro do PMDB sempre se mostrou frágil. A fratura entre PTB, de um lado, e PP e PL, de outro, provocada pela crise do suposto mensalão, consolidou a perda do controle do governo sobre a Casa.

Corredor
O PP tem quatro deputados no corredor da morte. O PL, mais um. O pacto mútuo de salvação entre as três siglas aumenta as chances de todos. Ontem, além dessa convergência, Queiroz foi ajudado por parte do PSDB e do PFL, especialmente pelas bancadas de Minas Gerais. Os deputados tucanos ligados ao governador Aécio Neves cabalaram ativamente votos a favor de Queiroz. No PFL, os líderes liberaram na prática a posição de seus liderados.

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