sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Opinião: Serra, assim como Lula

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 16 de dezembro de 2005 - As pesquisas do Ibope e do Datafolha divulgadas na quarta-feira consolidaram a convicção de que o prefeito de São Paulo, José Serra, só não será o candidato do PSDB à Presidência da República se não quiser. Esse é o fato. Nas próximas semanas, os cardeais tucanos vão continuar sua dança ritual e seus meneios. Vão repetir que nada está definido, que a decisão só será tomada no começo do ano que vem. Aqui e ali, vão elogiar o governador Geraldo Alckmin. Será conversa para inglês ver. Só uma desistência de Serra, a esta altura bem pouco provável, pode dar a legenda do PSDB a Alckmin ou ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

No salão verde da Câmara dos Deputados e no carpete azul do Senado, as conversas em off the records com os profissionais da política costumam ser diretas e verdadeiras. Não há quem leve a sério a hipótese de um político com quase 40% de intenções de voto para presidente da República abrir mão da candidatura, a não ser por vontade própria. Lula, com menos que isso, foi à luta duas vezes, em 1994 e 1998. E sabia que muito provavelmente iria perder. Serra guerreou com ferocidade para ter a legenda do PSDB em 2002, uma eleição impossível desde a largada. Por que recuaria agora, quando tudo indica que é o favorito? Não faz sentido. Só se o prefeito já estiver pensando na aposentadoria.

O PSDB tem lá seus problemas internos para resolver. Precisa encontrar um caminho para Alckmin, quadro partidário de primeiríssima linha e cuja força política entre os eleitores paulistas é incontrastável. Precisa costurar um acordo interno que reconheça o peso político de Aécio e respeite suas pretensões futuras. Precisa estabilizar as relações entre Serra e o presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE). Precisa articular uma aliança política com o PFL, cujo apetite anda grande quando o assunto é a sucessão nos estados. Mas são problemas tucanos. O brasileiro comum não parece tão preocupado assim com eles. Os eleitores tradicionais de Lula continuam firmes com o petista. Os que não votavam nele, mas lhe deram uma chance em 2002, estão agora tentados a dar a mesma oportunidade a Serra. É isso que dizem as pesquisas.

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