terça-feira, 20 de dezembro de 2005

Guerra eleitoral aberta

Lula exige que ministros reajam aos ataques da oposição, principalmente aos dos tucanos, para tentar reverter desvantagem crescente nas pesquisas de intenção de votos

Sandro Lima e Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 20 de dezembro de 2005 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ontem que seus ministros defendam todo o governo, e não apenas cada um a sua área. Lula quer o ministério inteiro envolvido na guerra política contra a oposição, para tentar reverter a crescente desvantagem nas pesquisas sobre a disputa eleitoral de 2006. Como o Correio antecipou na edição de ontem, Lula deseja começar o ano “com todo o gás”, e recuperar o terreno perdido na crise política, que consumiu o ano de 2005 e fez despencar a popularidade do presidente.
Ele deseja também que os aliados, especialmente o PT, reajam mais fortemente aos ataques do PSDB e do PFL. Exigiu dos ministros que se apropriem do que considera os êxitos do governo e sejam garotos-propaganda das realizações. As diretrizes foram dadas durante a última reunião ministerial do ano, ao longo de todo o dia de ontem no Palácio do Planalto. Lula escalou os ministros de Relações Institucionais, Jaques Wagner, e da Integração Nacional, Ciro Gomes, para divulgar o conteúdo do encontro.
A estratégia é divulgar ao máximo os números do governo nas áreas social, econômica e de infra-estrutura, comparando-os com a gestão de Fernando Henrique Cardoso (FHC). “É possível afirmar, com números, que o governo Lula, em qualquer área, tem desempenho melhor que os oito anos do governo anterior. É um desafio e estamos disponíveis para o debate”, disse Ciro.
Na primeira parte, até o meio da tarde, falaram vários ministros. A primeira foi Dilma Rousseff, da Casa Civil, que também foi a coordenadora dos trabalhos. O último foi Jaques Wagner. Dilma sentou-se ao lado do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, com quem trava uma queda-de-braço interminável, por causa de divergências sobre a política econômica.
Com o apoio de Lula, Dilma defende mais gastos públicos, especialmente no ano eleitoral. Palocci está aparentemente isolado na defesa do ajuste fiscal de longo prazo como principal instrumento para reduzir os juros e estimular o investimento privado. Num sinal do enfraquecimento de Palocci, o assunto, considerado fundamental pela equipe econômica, sequer foi tocado na reunião. O ministro da Fazenda estuda deixar o governo no começo de 2006 para ser candidato a deputado federal.

Sem polêmicas
Lula pediu novamente aos ministros que evitem divergências públicas entre si. Além da guerra Dilma-Palocci, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, fez duras críticas na semana passada ao gerenciamento governamental. Segundo Wagner, Lula pediu aos ministros “unidade na defesa do governo e no discurso”.
Ciro Gomes tentou minimizar as pesquisas que apontam a vantagem do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), já no primeiro turno das eleições de 2006. Segundo ele, a pesquisa retrata o instante atual. Ele acredita que a partir do momento em que a população receber informações sobre o que o governo vem fazendo, o presidente vai recuperar o terreno perdido.
Lula começou a falar às 16h17, após o intervalo do almoço. Antes dele, houve uma exposição do ministro Jaques Wagner sobre a conjuntura política e os possíveis cenários para as eleições de 2006. Lula quer que os ministros que vão ser candidatos deixem os cargos já no início de 2006. O prazo legal para desincompatibilização acaba no final de março. Segundo Wagner, o presidente tratará deste tema individualmente com cada ministro.
Pela manhã, falaram os ministros do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias; da Justiça, Márcio Thomaz Bastos; da Integração Nacional, Ciro Gomes; e do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. Cada um fez o balanço das respectivas áreas de atuação.
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, falou sobre os problemas da sua pasta e as negociações para o fim dos subsídios agrícolas na reunião Organização Mundial do Comércio (OMC) recém realizada em Hong-Kong, na China.
Além dos ministros, estavam presentes o presidente da Petrobras; Sérgio Gabrielli; da Eletrobrás, Aloizio Vasconcellos; do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega; do Banco do Brasil, Rossano Maranhão; e da Caixa Econômica Federal (CEF), Jorge Mattoso. Além deles, participaram da reunião os líderes do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e no Congresso, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN). Após a reunião, os ministros foram convidados para participar, junto com os cônjuges, de um churrasco de confraternização na Granja do Torto.
O acesso à reunião foi fechado para a imprensa, ao contrário do que ocorreu nas reuniões anteriores. Havia uma expectativa de que ao menos o discurso de Lula fosse transmitido, mas nem isso aconteceu.

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