sábado, 24 de dezembro de 2005

Coluna Brasília-DF: Papai Noel é vermelho


Alon Feuerwerker
(Com Luciene Soares)

Correio Braziliense, 24 de dezembro de 2005 - PSB e PCdoB já fizeram seus pedidos ao bom velhinho para a eleição de 2006. Entre outras coisas, os socialistas desejam o apoio do PT para o ex-ministro Eduardo Campos na corrida pelo governo de Pernambuco, ainda no primeiro turno. Os comunistas querem a mesma coisa para o ministro Agnelo Queiroz no Distrito Federal. Vem confusão por aí. O PT-PE tem dois pré-candidatos: o ex-ministro Humberto Costa e o prefeito da capital, João Paulo. O PT-DF, pelo menos quatro: Geraldo Magela e os distritais Arlete Sampaio, Chico Leite e Chico Floresta. O assunto inspira cuidados. Com a verticalização, vai ser difícil para Lula achar outros aliados.
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No PSB há um complicador a mais. O partido quer o PT trabalhando também para reeleger a governadora socialista no Rio Grande do Norte, Wilma Faria.

Até o fim

O ex-governador e pré-candidato do PMDB à Presidência, Anthony Garotinho, já informou aos aliados e assessores que vai até o fim para ter a legenda. Se a reunião de janeiro da Executiva Nacional adiar a prévia, ele participa da consulta na data em que for marcada. Se a prévia for cancelada, ele vai à convenção nacional. Se a cúpula do partido quiser desistir da candidatura própria, terá que derrotar Garotinho no voto dos convencionais. Guerra à vista.

Tiro no pé

Os seguidos balões de ensaio palacianos com a tese de que o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes, poderá ser candidato se o presidente da República não concorrer à reeleição podem fazer a situação escapar ao controle dos estrategistas do Planalto. É grande a pressão do PSB para Ciro se candidatar, mesmo com Lula na disputa. Os socialistas acham que um candidato forte a presidente ajuda o partido a superar a cláusula de barreira. Por enquanto, Ciro resiste.

Carimbo

Os oposicionistas vão passar o Natal e o Ano Novo comemorando o relatório parcial do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) na CPI dos Correios. Avaliam que o relator conseguiu carimbar o suposto mensalão na testa do PT e do governo. E que fincou uma bandeira com a tese de que o dinheiro do caixa 2 petista saiu dos cofres públicos. Agora, dizem, é o PT que tem de se explicar. E quem precisa se explicar, avaliam, já começa derrotado.

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"A Polícia Federal é um órgão do governo. Na eleição, só pode entrar em ação por determinação judicial. Se agir por conta própria, estará sendo transformada em polícia política. Será o fim da democracia."

Do líder da Minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), sobre a decisão do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, de colocar a PF para monitorar os partidos e vigiar o caixa 2 nas eleições de 2006.
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No cafezinho

Nova síndica / O ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Carlos Velloso não deixará saudades apenas na magistratura. O ex-ministro se aposenta também da função de síndico do prédio onde mora na Asa Sul, em Brasília. Velloso diz que está cansado e quer passar a tarefa para a ministra Ellen Gracie (foto). Mas avisa que continuará no apartamento, que é dele mesmo.

Telefone sem fio / Dia desses, o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), ligou assustado para o gabinete do deputado Lupércio Ramos (PMDB-AM) em busca de informações sobre o acidente aéreo que teria vitimado o colega. Como o parlamentar estava em trânsito de Manaus para Brasília, logo temeu-se pelo pior. A confusão só se desfez quando a companhia aérea informou que o vôo tinha só atrasado.

Firme e forte / O governador de Roraima, Ottomar Pinto (PSDB), levou na brincadeira o boato de que estaria em São Paulo, com a saúde bastante debilitada e prestes a amputar a perna esquerda. O tucano, que se recupera de uma cirurgia de varizes, manda um recado aos adversários: "Estou tão bem que vou correr até a São Silvestre".

Sem saída / O Palácio do Planalto ficou incomodado com a promessa da oposição de cobrar explicações sobre o uso de aeronaves do governo na festa de inauguração da segunda pista do aeroporto de Brasília esta semana. Tanto é que a Aeronáutica se antecipou e esclareceu que o Aerolula não foi usado para transportar os trabalhadores da obra, e sim o Boeing 737, o "sucatinha". "Isso não muda nada, só confirma que o presidente Lula perdeu a noção do que é público. É inadmissível o fato de ele fazer campanha com o erário", insiste o senador Leonel Pavan (PSDB-SC).

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