quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Coluna Brasília-DF: Argumento derrubado (28/12)


Alon Feuerwerker
(Com Luciene Soares)

Correio Braziliense, 28 de dezembro de 2005 - Responsabilizar as medidas provisórias (MPs) pela baixa produtividade da Câmara dos Deputados, como faz o presidente Aldo Rebelo (foto), não encontra sustentação nos números. 2005 foi o ano em que o atual presidente da República editou menos MPs. Apenas 37, contra 58 em 2003 e 73 em 2004. Foi também o menos prolífico da Câmara no governo Lula. O excesso de MPs nos dois primeiros anos de Lula não impediu que os deputados batessem o recorde de produtividade da década, em quantidade de propostas votadas. Aldo discorda desse método quantitativo de avaliação. Tem defendido que as leis aprovadas na casa devem ser medidas pela sua qualidade.
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Depois do Ano Novo, o ritmo do Legislativo deve continuar lento, pelo menos na visão dos principais analistas de mercado. Em seus relatórios reservados, os consultores advertem que 2006 tem tudo para ser um ano perdido. Apostam que reformas como a política e a sindical só avançam em 2007, e a depender do presidente eleito.

Sinais de fumaça

Deputados federais licenciados para ocupar secretarias na Prefeitura de São Paulo preparam-se para reassumir o mandato na Câmara até o final de março, prazo-limite para quem vai disputar a eleição. A reforma do secretariado paulistano é aguardada com grande expectativa pelo vice-prefeito, Gilberto Kassab (PFL).

A volta

Quando o ministro Miguel Rosseto admite disputar o Senado, emite mais um sinal de que o PT do Rio Grande do Sul começa a convergir para Olívio Dutra na batalha pelo Piratini. Alternativas como Dilma Rousseff e Tarso Genro estão quase fora. Devem emplacar 2006 no ministério e participar da campanha de Lula à reeleição.

Areia no motor

Ao dizer que não colocará na pauta qualquer projeto para acabar com a reeleição para os cargos executivos, Aldo Rebelo aposta na divisão interna dos tucanos. A possibilidade de o próximo presidente tentar a reeleição em 2010 complica as conversas no PSDB. Quem perder agora a corrida pela legenda só poderá tentar a presidência em 2014. A não ser que Lula se reeleja.

Como em 2002

Esse último fator anima os estrategistas do presidente. Acham que Lula terá, no mínimo, a neutralidade dos tucanos preteridos na corrida pelo Palácio do Planalto no ano que vem. Em 2002, o então candidato do PSDB, José Serra, foi vítima de "cristianização". O termo vem de 1950, quando o PSD abandonou Cristiano Machado em favor de Getúlio Vargas (PTB), que acabou se elegendo.

Sem sucesso

As pressões do Planalto sobre a bancada do PT não estão surtindo efeito. A tendência mais provável é o partido manter sua posição a favor da verticalização quando a proposta for a voto, em 21 de janeiro. "Se nem o presidente nos pediu formalmente uma mudança, por que deveríamos mudar?", pergunta um prócer petista.

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No cafezinho

Orçamento por MP / O governo está pessimista em relação à aprovação do Orçamento Geral da União antes de março do próximo ano. O Palácio do Planalto prepara um pacote de Medidas Provisórias para impedir a paralisação da máquina no começo de 2006. Apesar do otimismo do líder do governo no Congresso, senador Fernando Bezerra (foto).

Flerte / A possível candidatura do presidente do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, ao Palácio do Planalto consegue afagos nas duas alas do PMDB. Sorriem para Jobim tanto o governista Renan Calheiros (AL) quanto o oposicionista Eliseu Padilha (RS). Aliás, o ex-ministro dos Transportes de FHC está em campanha para convencer os demais caciques peemedebistas a lançar candidato ao Planalto.

Viola no saco /Com a decisão da cúpula do PTB de manter a atual comissão executiva e os líderes do partido por mais 18 meses em seus cargos, os oposicionistas da legenda ficaram engessados. Os petebistas avessos ao PT vinham conversando com a oposição para as eleições do próximo ano. "Esse entendimento com o PSDB e o PFL esfriou porque primeiro tínhamos que garantir o comando da legenda", lamenta-se um frustrado petebista.

Mangueira cearense / O governo do Ceará destinou R$ 500 mil para ajudar o desfile da Mangueira, no Rio. No próximo carnaval, a escola leva para o Sambódromo a transposição do São Francisco.

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