sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Coluna Brasília-DF: Alckmin tira o gesso

Alon Feuerwerker
(com Luciene Soares)

Correio Braziliense, 23 de dezembro de 2005 - Em jantar reservado com um seleto grupo de empresários, economistas e jornalistas de São Paulo, o pré-candidato Geraldo Alckmin (PSDB) endossou a idéia de reduzir as obrigações constitucionais de gastos com a saúde. Quer desengessar o Orçamento da União. O encontro com Alckmin foi articulado pelo presidente do Conselho de Administração do Grupo Abril, Roberto Civita. Aconteceu na residência de outro diretor da empresa, Luiz Felipe D'Ávila. A estrela foi Abílio Diniz, acompanhado de mais membros de seu clã. Quem esteve lá diz que as orelhas do presidente Lula e do PT devem ter ardido bastante naquela noite. Até as do prefeito José Serra podem ter ficado rosadas. A vinculação de gastos na Saúde foi bandeira de Serra quando ministro.

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Alckmin disse no jantar que não vê grande dificuldade para formar maioria no Congresso. Citou até sua experiência de prefeito em Pindamonhangaba (SP). Defendeu a tese de que uma boa administração no Executivo leva, naturalmente, o Legislativo a apoiá-lo.
Pôquer baiano

O PT da Bahia prepara o cerco ao ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner. Quer que ele seja candidato ao governo estadual. Para consumo externo, o ministro resiste. Só que comemorou os sinais do prefeito de Salvador, João Henrique (PDT), de que pode apoiar Lula em 2006. Lula e, quem sabe, o próprio Wagner. Mas sempre há a hipótese de o alcaide estar de olho no possível apoio de Lula a ele mesmo, se resolver ser candidato.
Preferido

Os pesos pesados do PFL na Câmara dos Deputados inclinam-se para o nome do senador Jorge Bornhausen (SC) como vice na chapa com os tucanos para o Palácio do Planalto . O presidente do PFL tem dito que não abre mão da candidatura própria do partido a presidente. Em qualquer cenário, os cabos eleitorais do senador na Câmara querem colocar nas mãos dele a condução das negociações com o PSDB.
Carteirinha
Na coletiva de ontem, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) disse, a sério, que tem muita identidade com José Serra, na política e na economia. O líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), reagiu com bom humor. "Quem vai decidir o nome para disputar a Presidência é o PSDB. Mas, vou procurar o Aldo para convencê-lo a assinar a ficha de filiação ao nosso partido."
Na real
Realisticamente, o presidente da Câmara admite que a convocação extraordinária pode, no máximo, aprovar o Fundeb, a nova legislação para pequenas e médias empresas e a redução do recesso parlamentar. De carona, a eliminação dos dois salários a mais que os deputados ganham nessas ocasiões.
Outro lado
O PT está em campanha por mais recursos, mas avisa que não quer receber o dinheiro extra que seus parlamentares vão ganhar para trabalhar no recesso. O partido pede R$ 10 mil de cada deputado ou senador. Como vai separar as duas coisas, ninguém sabe.
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No Cafezinho
Na mira/ A oposição não quer dar sossego ao presidente Lula. A turma juntou imagens tiradas no Aerolula ontem, durante a festa de inauguração da segunda pista do aeroporto de Brasília. A aeronave fez o pouso inaugural lotada de operários da obra. No início do ano, jornalistas foram impedidos de entrar no avião por questões de segurança. A oposição vai acusar o petista de usar o avião para fazer campanha.
Procurador fora/ O procurador-geral do Distrito Federal, Miguel Farage de Carvalho, pediu demissão do cargo, em caráter irrevogável. Nos últimos sete anos, Farage atuou decisivamente em casos delicados para o Governo do Distrito Federal. A carta foi entregue ao secretário de Governo, Benjamim Roriz.
Memória/ O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal inovou. Lançou uma bela agenda em homenagem a 23 profissionais que atuam em Brasília há mais de 30 anos. Além das biografias, a publicação traz uma seleção de fotos que contam a história do jornalismo. A ilustração da capa foi cedida, gentilmente, por Jaguar.
Rodízio/ Agora são três deputados no páreo para conquistar a liderança do PL. Sandro Mabel (GO) avisou aos colegas que está fora da disputa. O mais novo candidato é Miguel de Souza (RO).Os outros dois são Lincoln Portela (MG) e Luciano Castro (RR).

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