terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Análise: Uma regra não escrita

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 6 de dezembro de 2005 - Há uma regra, não escrita, de que aplicar o orçamento ajuda mais os amigos do presidente do que o próprio. As emendas parlamentares encaixam-se nesse figurino. São as despesas que deputados e senadores incluem no projeto de lei orçamentária que vem do Executivo. Aprovadas e executadas, vão alimentar a corrida eleitoral nos estados com serviços e obras que fazem a alegria dos potenciais financiadores de campanha. Na política local, são vistas como uma medida do prestígio do deputado, do senador ou do governador em Brasília.
Em 2001, Fernando Henrique Cardoso executou R$ 4,6 bi em emendas, bem acima da média (ver quadro na nota abaixo). No ano seguinte, o tucano José Serra perdeu a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva, mas os aliados de FHC tiveram excelente desempenho nos estados. O PT só elegeu governadores no Mato Grosso do Sul, Acre e Piauí. Na Câmara e no Senado, a coligação de Lula-2002 não fez mais que 20% das cadeiras. De certo modo, FHC plantou em 2001 as sementes da crise de governabilidade que viria a ser uma marca do governo do PT.
Agora é a vez de Lula. Comparado ao antecessor, ele está sendo tímido. Talvez porque não tenha assim tantos aliados entre os grupos que hoje comandam a política nos estados. Não faz sentido abastecer o tanque de caciques locais pouco fiéis, ainda mais se não cair a verticalização, regra que proíbe coligações estaduais entre partidos que tenham diferentes candidatos a presidente da República.

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