sábado, 5 de novembro de 2005

Personagem: Cruzada solitária

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 5 de novombro de 2005 - A médica carioca Angela Moraes Guadagnin continuou ontem sua cruzada solitária em defesa do mandato do companheiro de Câmara e partido José Dirceu. Fez uma complementação ao voto em separado que dera na primeira reunião, anulada pelo Supremo Tribunal Federal. Seu ponto ontem foi que os deputados estariam usando dois pesos e duas medidas nos casos de Dirceu e Sandro Mabel, este inocentado por unanimidade. “Não posso admitir que a presunção de inocência valha para um e não para o outro”, disparou.
Ela reafirmou as críticas ao voto do relator, Júlio Delgado (PSB-MG). Disse que ele “incidiu em lamentável equívoco, ao basear suas conclusões em fatos que não se sustentam mediante sumária verificação, ilações que, obviamente, não se prestam à prova de nada, e indícios que, à míngua de maiores esforços investigativos, não subsistem”. Disse ainda que “afora a incontida indignação do relator pela relevância política do representado, nenhum elemento de prova que configure ato incompatível com o decoro parlamentar foi apresentado”.
Angela foi prefeita de São José dos Campos (SP) e está no segundo mandato de deputada federal por São Paulo. Poucos sabem, mas o então dirigente petista José Dirceu teve papel decisivo na indicação dela como candidata do PT à prefeitura em 1992. Na época, a corrente petista Articulação, embrião do Campo Majoritário, travava uma disputa na cidade com a Convergência Socialista (CS), tendência trotskista abrigada no PT e que tinha forte influência no Sindicato dos Metalúrgicos. Mais tarde, a CS seria expulsa da legenda de Lula e viria a formar o radical Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU).
Durante sua gestão, Angela foi alvo de acusações e ataques políticos dos adversários, exatamente sobre supostas irregularidades na publicidade oficial. Nada se comprovou. A deputada tem origem política na militância de base da Igreja Católica. Pelas suas convicções, opôs-se radicalmente à aprovação das experiências com células-tronco embrionárias na Lei de Biossegurança. Também combate o aborto, ao contrário da maioria das mulheres petistas.

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