segunda-feira, 14 de novembro de 2005

O duelo, agora só nos tribunais

Roberto Jefferson, cassado por denunciar o esquema do mensalão, ganha a vida como advogado criminalista. O primeiro caso foi no interior do Mato Grosso

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 12 de novembro de 2005 - O ex-deputado Roberto Jefferson reestreou ontem no tribunal do júri em Vera (MT), num caso de desavença política que se transformou em tragédia familiar. Ele é assistente da promotoria no processo contra o fazendeiro Vilmar Taffarel, acusado de mandar matar em 2001 o então vereador Augusto Alba. O julgamento começou na manhã de ontem e tem o final previsto para hoje.
O vereador era adversário político da irmã de Taffarel, a então prefeita Isani Konerat. Alba sobreviveu ao pistoleiro de aluguel que invadiu a casa dele atirando, na noite de 24 de novembro daquele ano, um sábado. Alba escapou, mas uma das balas acertou e matou Keila, 12 anos, filha dele e que faria sua primeira comunhão no dia seguinte.
O processo parou Vera, município de pouco mais de 10 mil habitantes do norte do estado, a pouco menos de 500 km de Cuiabá. Um telão reuniu centenas de pessoas no ginásio municipal. Algumas casas colocaram aparelhos de televisão nas varandas e reuniram os vizinhos.

Campanha
Alba foi secretário de obras no primeiro mandato de Isani (1997-2000) e se elegeu vereador pelo PPS em 2000. Por achar que a prefeita o abandonara na campanha eleitoral, passou para a oposição, que ficou com a maioria na Câmara. A partir daí, Alba concentrou seu mandato nas denúncias de irregularidades contra Isani e acendeu o estopim da tragédia.
“Estou feliz como um garoto”, disse Roberto Jefferson num dos intervalos. O homem que produziu a maior conflagração política da história recente do país interveio no julgamento falando em pacificação. “Pela memória de sua filha, o senhor assume o compromisso de que daqui para a frente não haverá mais ódio em Vera?”, perguntou a Alba. “Sim, assumo”, respondeu o pai da menina morta.
O juiz Wendel Simplício proibiu a mulher de Alba de assistir ao julgamento vestindo uma camiseta com a foto de Keila. A segurança no local está reforçada, com cerca de 50 soldados da Polícia Militar do estado. Há o temor de que uma eventual absolvição cause reações violentas da população.
Não há provas materiais contra Taffarel. Estudantes de direito de toda a região vieram ao município para ver o embate de Jefferson com um dos principais advogados criminalistas de Mato Grosso, Cláudio Alves Pereira.

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