terça-feira, 8 de novembro de 2005

Mabel quer votação já

Cronograma dos processos de cassação no plenário tem nova mudança e Aldo Rebelo considera inevitável a convocação extraordinária dos parlamentares nos meses de janeiro e fevereiro

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 8 de novembro de 2005 - O líder do PL, Sandro Mabel (GO), decidiu lutar para que seu caso seja votado amanhã mesmo pelo plenário da Câmara dos Deputados. Mabel começou a coletar assinaturas dos líderes para um requerimento em que pede a dispensa de insterstício. É o intervalo de duas sessões do plenário entre a decisão do Conselho de Ética e a votação pelo conjunto dos deputados. Para o requerimento ser votado, é preciso o apoio de todos os líderes ou de 51 parlamentares.
Na tarde de ontem, o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), adiou o julgamento de Mabel em plenário de amanhã para o próximo dia 16. O motivo, novamente, foi a falta de quorum na sessão. Apenas 34 deputados estavam na Casa, 17 a menos que o necessário para a abertura dos trabalhos. Também não houve número na sexta-feira. Como a decisão do Conselho de Ética pela absolvição de Mabel só chegou à Mesa às 12h08 da última quinta-feira, as duas sessões de intervalo terão que ser contadas hoje e amanhã, se não houver a dispensa pedida pelo líder do PL.
Aldo já disse que só vai marcar votação de cassações para as quartas-feiras à tarde, quando é maior a presença dos deputados em Brasília. E havia deixado vazia a agenda do dia 16, por causa do feriado da Proclamação da República. Ontem, mudou de idéia. "É uma medida excepcional, para uma situação excepcional", explicou. "Vou mandar telegramas a todos os deputados para estarem aqui no dia 16." Mas Mabel decidiu trabalhar contra o adiamento. "Vamos falar com os líderes para decidir isso nesta quarta-feira mesmo", afirmou. Até a noite já havia obtido apoio do PMDB, PFL, PTB, PP, PSB e do líder da Minoria, José Carlos Aleluia (PFL-BA).
Mabel foi absolvido pelo conselho por unanimidade há uma semana. O processo contra ele havia sido pedido pelo PTB, em represália à representação do PL que acabou levando à cassação de Roberto Jefferson. Mabel foi acusado de oferecer luvas de R$ 1 milhão e R$ 30 mil mensais para a deputada Raquel Teixeira (GO) trocar o PSDB pelo PL. Ele negou a acusação. A deputada confirmou a suposta oferta, mas os conselheiros consideraram não haver provas que pudessem justificar a cassação, já que era a palavra de um contra a palavra do outro.
Raquel Teixeira e Sandro Mabel são ambos aliados do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Foi Perillo quem trouxe a público a acusação contra Mabel, ao relatar que havia sido procurado pela deputada com a história da oferta de dinheiro. No decorrer do processo, porém, Perillo admitiu que Raquel era a única fonte da informação. Esse detalhe acabou ajudando a salvar Mabel no Conselho de Ética, já que o suposto testemunho de Perillo acabou, na prática, desqualificado.

Convocação
O presidente da Casa praticamente confirmou ontem a interlocutores que haverá convocação extraordinária da Câmara dos Deputados em janeiro e fevereiro, para que os processos no Conselho de Ética não sejam interrompidos. Resta pouco mais de um mês para o recesso e será impossível o conselho completar os trabalhos até lá.
Aldo admitiu que a opinião pública não aceitará a suspensão dos processos por causa das férias dos deputados. Até o momento, a alternativa mais provável é a autoconvocação, com uma pauta que inclua os trabalhos do conselho e também possíveis votações em plenário dos processos que forem sendo concluídos pelos conselheiros.
O relator do processo contra o deputado José Mentor (PT-SP), Edmar Moreira (PFL-MG), marcou para a próxima quinta-feira dois depoimentos sobre as denúncias contra o ex-relator da CPI do Banestado. São a ex-secretária da SMPB Fernanda Karina Somaggio e o advogado Rogério Tolentino, sócio do empresário Marcos Valério.

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