segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Mabel é absolvido

Plenário da Câmara acompanha decisão do Conselho de Ética e conserva o mandato do líder do PL, acusado de oferecer dinheiro para que a deputada Raquel Teixeira mudasse de partido. Faltaram provas

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 10 de novembro de 2005 - O deputado federal Sandro Mabel (GO), líder do PL, saiu ontem do “corredor da morte” das cassações. Por 340 votos a 108, o plenário da Câmara aprovou o relatório de Benedito de Lira (PP-AL) e mandou para o arquivo a denúncia que o PTB havia feito contra Mabel. Ele era acusado de oferecer dinheiro para a deputada tucana Raquel Teixeira (GO) aderir ao PL. “É o fim de um pesadelo”, disse o réu logo após a absolvição no plenário. À noite, foi completar a comemoração na casa do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Valdemar renunciou ao mandato para escapar da cassação após a comprovação de que recebera recursos do caixa 2 do PT. O presidente do PL diz que foi dinheiro usado para pagar despesas da campanha de Lula em 2002.
Mabel havia sido absolvido no Conselho de Ética por unanimidade, 14 a 0, por falta de provas. Ontem, teve contra ele a movimentação subterrânea de setores do PSDB solidários a Raquel, além de grupos no PFL, PMDB, PPS, PDT e PSol. Os “radicais” Babá (PSol-PA) e Luciana Genro (PSol-RS) foram os únicos a discursar pela condenação. “Esses mais de cem votos contra Mabel mostram que a decisão do conselho não refletiu a disposição do conjunto da Casa”, disse Luciana. O PSol tem dois parlamentares no Conselho de Ética, Chico Alencar (RJ) e Orlando Fantazzini (SP). Alencar havia votado para absolver Mabel e Fantazzini não foi à sessão do conselho que deliberou sobre o caso.
Em seu primeiro discurso após a absolvição, o líder do PL agradeceu à bancada por não o ter substituído ao longo dos “150 dias de sofrimento” por que passou . Dirigiu-se a Luciana e Babá dizendo que seus sigilos bancário e fiscal estão à disposição de ambos, para que se convençam de sua inocência. Deixou em aberto, também, a possibilidade de candidatar-se ao governo de Goiás no próximo ano. E não chorou, ao contrário do que fez freqüentemente no conselho . “Eu até trouxe o lenço, mas dessa vez prometi a mim mesmo não chorar.”

Perillo
Antes da eclosão do escândalo do suposto mensalão. Mabel era forte candidato a suceder o governador tucano Marconi Perillo, de cuja base de apoio participa. Curiosamente, a denúncia de que o líder do PL teria oferecido “luvas” de R$ 1 milhão e R$ 30 mil mensais para Raquel Teixeira trocar o PSDB pelo PL veio a público pela boca do próprio Perillo, para quem Raquel havia relatado a suposta oferta.
Em junho, logo após a entrevista em que Roberto Jefferson falou pela primeira vez do mensalão, Perillo disse que mais de um ano antes havia avisado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que partidos da base do governo tentavam aliciar parlamentares da oposição com ofertas de dinheiro. Citou especificamente o caso de Mabel. Ao longo do processo, entretanto, Perillo admitiu que não tinha outros elementos, além do testemunho de Raquel, para incriminar Mabel.
Essas circunstâncias acabaram levando os integrantes do Conselho de Ética a penderem para Mabel, por considerarem que não se deveria cassar o mandato de um parlamentar sem que houvesse qualquer prova contra ele. Ontem, o próprio governador chegou a telefonar a deputados tucanos pedindo que votassem a favor de Mabel.

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