segunda-feira, 14 de novembro de 2005

Análise: Radiação no plenário

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 10 de novembro de 2005 - Sandro Mabel é de Goiás, o estado do mais grave acidente radiativo da história do Brasil, o caso do césio 137, em 1987. E o líder do PL só escapou da cassação porque não se provou contra ele absolutamente nenhum contato, nem indireto, com o caixa 2 “radiativo” da dupla Marcos Valério-Delúbio Soares.
Mabel não apareceu na lista de visitantes da agência do Banco Rural no Brasília Shopping. Depois, não apareceu na relação de sacadores, nem nos depoimentos de Marcos Valério ou Simone Vasconcelos, diretora da SMPB. Foi sua salvação. Mesmo assim teve 108 votos contra ele. Bem longe dos 257 necessários para cassá-lo, mas um termômetro de que os demais acusados não terão vida fácil entre os colegas.
O plenário está sedento para “cortar na própria carne”, na esperança de aplacar a sede de sangue do público. Só tem chance de escapar quem não tiver nenhuma prova contra, ou então quem apresentar provas irrefutáveis de que não operou recursos “não contabilizados”. Na primeira categoria está o ex-líder do PP Pedro Henry (MT). Contra ele pesa apenas a acusação de Roberto Jefferson. Seu relator no Conselho de Ética, Orlando Fantazzini (PSol-SP), até agora não tem elementos para propor a condenação.
A votação de ontem indicou haver pelo menos uma centena de deputados que desejam cassar todos os acusados. Mas mostrou também que existe espaço para salvar alguns. Mabel foi o primeiro. É uma linha tênue, na qual todo erro é mortal, por menor que seja. A Câmara dos Deputados adverte: a radiação emitida pelo chamado valerioduto pode ser fatal.

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