quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Análise: Em defesa da categoria

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 2 de novembro de 2005 - Ao recomendar a absolvição de Sandro Mabel (PL-GO) pelo plenário da Câmara dos Deputados, o Conselho de Ética resolveu dois problemas para si próprio. Primeiro, enfraqueceu as acusações de ser um tribunal de exceção, vocacionado para condenar sem provas. Segundo, estabeleceu uma jurisprudência que fala de perto ao coração dos parlamentares. Depois do caso Mabel, está determinado que não basta acusar alguém para cassá-lo no conselho.
Vida de deputado federal é cheia de sobressaltos. De quatro em quatro anos precisa sair atrás do apoio de prefeitos e vereadores em todo o seu estado para voltar a Brasília. Nessa caminhada, é inevitável semear mágoas, ressentimentos e desafetos, pois não se pode agradar sempre, nem cumprir todas as promessas. Também, por isso, todo parlamentar é um alvo fixo para eventuais intenções de vingança.
Se o plenário da Câmara confirmar a posição de ontem e inocentar Mabel, os deputados não mais estarão sujeitos à cassação apenas por causa de uma denúncia e por terem, politicamente, a oposição da maioria dos colegas. Será preciso algo mais. Mas, para quem tem provas contra, a vida ficou mais difícil. Após livrar Mabel das acusações, o Conselho de Ética está livre para agir com máxima dureza contra quem estiver comprovadamente vinculado ao caixa 2 da dupla Marcos Valério-Delúbio Soares.

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