segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Segurança pública une as duas frentes

Parlamentares do "não" buscam adversários para cobrar de Lula mais recursos no combate à violência

Alon Feuerwerker
Enviado especial a São Paulo

Correio Braziliense, 24 de outubro de 2005 — Depois de ajudar a zebra do “não” num referendo que parecia, no início, destinado a proibir a venda de armas e munições, o deputado federal e ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury (PTB-SP) quer mais investimentos do governo na segurança pública. “Não é aceitável que só 15% tenham sido gastos até agora este ano”, disse. Ele vai sugerir que defensores do “sim” e do “não” façam uma visita ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para reivindicar a liberação de mais recursos. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), disse que participa da audiência, mas lembra que o problema é convencer a equipe econômica a liberar o dinheiro.
Esta semana integrantes das duas frentres reúnem-se para para pressionar o governo para que se cumpra o Estatuto do Desarmamento. Fleury quer articular a realização de um seminário, em conjunto com os defensores do “sim” e o Congresso, para “analisar políticas que deram certo e propor medidas na área de segurança”.
Além disso, Fleury quer a realização de novas consultas populares sobre outros dois temas: a redução da maioridade penal para 16 anos e o aborto nos casos de anencefalia — quando o feto vai nascer sem cérebro. “A população mostrou que quer participar das decisões, e acredito que cabe a nós, parlamentares, respeitar isso”, afirmou pela manhã em sua casa no bairro do Pacaembu, em São Paulo. A idéia da Frente Parlamentar pelo Direito à Legítima Defesa é ampliar a realização de novas consultas à população.
Fleury votou pouco antes do meio-dia num colégio da Avenida Paulista, acompanhado da mulher. Na saída, reclamou do tratamento que imprensa tem dado, desde o debate do Estatuto do Desarmamento, a quem defende o direito de o cidadão comum se armar. “Durante três anos, a mídia só deu ouvidos para um lado”, protestou. “Não houve equilíbrio.” Ainda pela manhã, o ex-governador evitou caracterizar o então já previsível fracasso do “sim” como uma derrota do governo. “Mais que avaliar governos, o que a sociedade exigiu nesse referendo foi uma política nacional de segurança pública”, disse.

Razão

A vitória do “não” começou a ser desenhada em reunião com o publicitário Chico Santa Rita ainda em agosto, num dos plenários do da Câmara dos Deputados. Ali surgiu a idéia de associar o “sim” à perda de um direito e explorar a racionalidade, mais que as emoções.
“A maioria dos brasileiros nunca teve arma e provavelmente não terá, mas, e se algum dia precisar de uma?”, pergunta Fleury. “Procuramos trabalhar para que as pessoas parassem e pensassem nisso. Acho que funcionou.”
Depois de votar, Fleury almoçou em casa e passou a tarde em seu escritório político. Não perdeu a oportunidade de criticar a realização isolada do referendo. “Foram gastos quase R$ 600 milhões. Por que não poderia ter sido feito junto com a eleição do ano que vem?” O ex-governador acredita que o ideal teria sido esperar mais alguns anos, para que se pudesse avaliar a aplicação do Estatuto do Desarmamento, aprovado em 2003. Ele rejeitou também a idéia de novas mudanças legais para restringir ainda mais o direito à arma.

0 Comentários:

Postar um comentário

<< Home