quinta-feira, 13 de outubro de 2005

Oposição prevê Lula forte em 2006

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 13 de outubro de 2005
- A oposição já admite que vai enfrentar um Luiz Inácio Lula da Silva musculoso nas eleições do ano que vem e está disposta a engavetar velhas diferenças, em nome da união para tentar derrotá-lo. Passada a esperança de produzirem um Lula anêmico para 2006, PSDB e PFL concentram-se agora na construção de uma candidatura forte. "Nenhuma divergência entre nós é tão importante quanto a constatação de que ganhar a próxima eleição é vital", prega sem rodeios uma estrela ascendente do pefelismo, o deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto (BA). "Lula será competitivo, mas não favorito. Se não errarmos, ganhamos", prevê seu colega tucano Jutahy Júnior (BA).
PSDB e PFL acreditam que o presidente deve chegar à campanha com gordura para queimar. A menos que aconteça um terremoto na economia, Lula poderá dizer que entregou aos brasileiros mais crescimento e mais empregos do que Fernando Henrique Cardoso. Dirá também que cumpriu a promessa de combater a fome e a pobreza ao levar o Bolsa Família para quase 50 milhões de pessoas. No front ético, poderá defender-se com o argumento de que governou sob a fúria acusatória e investigativa de três CPIs, sem que nada tenha sido achado ou provado contra ele, pessoalmente.
A oposição tem elementos para contestar cada um desses alicerces da fala lulista. Dirá que o país cresceu, mas menos do que poderia, menos do que os vizinhos, menos do que o mundo. Lembrará que os programas sociais federais desenvolvidos por Lula foram criação do governo anterior. E procurará colar, sistematicamente, a imagem de Lula às dos petistas atingidos por acusações de corrupção. Mesmo com essas ressalvas, porém, caciques do PFL e PSDB admitem que o discurso reeleitoral do presidente é simples, direto e de fácil entendimento para o eleitor comum.
A solução ótima para esse problema das oposições seria achar uma "Fiat Elba" de Lula, como o carro que comprometeu Fernando Collor. Pesquisa qualitativa encomendada reservadamente por uma das principais consultorias nacionais concluiu que Lula ainda pode ser desconstruído, caso apareça prova material de que usou dinheiro ilegal ou dinheiro público em benefício próprio ou da primeira-dama. Outra aposta de PSDB e PFL é fazer da eleição um debate sobre o futuro. "A eleição não será o Fernando Henrique contra o Lula. Vai ser o futuro contra o Lula", prevê o líder tucano no Senado, Arthur Virgílio (AM). E ele é enfático. "Lula perdeu a confiança da sociedade. Ele vai governar com quem?"

Efeito Marta
A fala do senador amazonense oferece uma boa pista sobre o trilho no qual vai correr o trem oposicionista em 2006. Quem espera por um antipetismo radical e por uma campanha centrada em denúncias de corrupção pode se decepcionar. É possível que PSDB e PFL tentem a repetição do "efeito Marta", que funcionou contra a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, no ano passado. Uma ampla aliança política que isole Lula e o PT e um discurso de manter o que está funcionando (os programas sociais e a estabilidade econômica), fazer andar o que não está (a eficiência governamental, a redução dos gastos públicos e impostos) e acelerar o crescimento (avançar na agenda de reformas econômicas).
PSDB e PFL avaliam que mesmo um Lula forte poderá, nessas circunstâncias, ser derrotado no segundo turno, se a oposição conseguir atrair a classe média e não assustar os pobres. Falta definir o candidato. O PFL já desistiu de caminhar com o nome próprio, que seria o prefeito do Rio, Cesar Maia. No PSDB, a corrida afunila-se entre o prefeito paulistano, José Serra, e o governador paulista, Geraldo Alckmin. Nenhum dos dois enfrenta vetos no partido ou entre os aliados pefelistas. A guerra entre o PFL e Serra é coisa do passado. Se lá por março o prefeito estiver muito à frente de Alckmin nas pesquisas, não terá como não concorrer. Se não, o governador levará vantagem, pois Serra teria de abandonar o cargo dois anos e oito meses antes do final do mandato. Os vices de Serra e Alckmin são do PFL.
A ordem no PSDB é não brigar. Ontem, Serra e Alckmin estiveram em Aparecida, na solenidade em homenagem a Nossa Senhora. Trocaram mesuras. Todo cuidado é pouco, já que o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, corre por fora e aposta na divisão entre os paulistas. Já teve mais de um encontro com caciques do PMDB, partido que o namora — nem tão a distância assim. Aécio está em situação confortável, pois pode disputar mais um mandato para o Palácio da Liberdade, e como favorito.

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