sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Chance mínima

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 21 de outubro de 2005 - São pequenas as chances de a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) aprovar o parecer do deputado Darci Coelho (PP-TO) sobre o recurso do colega José Dirceu (PT-SP), que pede para suspender o processo de cassação no Conselho de Ética. O PTB apresentou a denúncia contra Dirceu e depois quis recuar, mas o presidente do conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), não aceitou. Coelho diz que a representação pode ser retirada, pois argumenta que o processo contra Dirceu só teria início formal quando saísse do conselho. Levantamento preliminar com membros da CCJ indica que a posição do parlamentar de Tocantins tem, até o momento, apoio apenas em segmentos do PT e do PCdoB.
“O Conselho de Ética não julga, é uma instância de investigação”, argumenta Coelho. “Portanto, ainda não há processo.” Se a CCJ aceitar a posição de Coelho, a ação contra Dirceu será suspensa. Nesse caso, a Mesa já decidiu informalmente que entrará com nova representação contra o ex-ministro da Casa Civil, baseada no relatório das CPIs dos Correios e do Mensalão (Compra de Votos). Originalmente, as CPIs e a Corregedoria da Câmara haviam sugerido a cassação de 16 deputados, mas a Mesa só pediu a punição para 13 deles, pois três já estavam no Conselho: o próprio Dirceu, o líder do PL, Sandro Mabel (GO), e o petebista Romeu Queiroz (MG). O próprio presidente da CCJ, Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), já se manifestou contrário ao relatório.
Há dois argumentos principais dos adversários de Coelho. O primeiro é que o processo propriamente dito não começa no plenário, mas no Conselho de Ética. É por isso, dizem, que a renúncia nessa etapa não impede a cassação do mandato. O segundo é de ordem política: ainda que tecnicamente o relatório de Coelho possa ter fundamento, muitos deputados temem que a aprovação seja interpretada como manobra casuística. “Aqui na Câmara as regras escritas estão valendo muito pouco”, disse ontem pela manhã um membro da CCJ durante sessão da comissão. “O que comanda é o medo.”

Resistência
Também no Palácio do Planalto são consideradas mínimas as chances de Dirceu sair vitorioso na CCJ ou no Conselho de Ética. O círculo mais próximo de colaboradores do presidente desaprova a resistência de Dirceu e demais petistas ameaçados de cassação. Eles avaliam que isso apenas prolongará a crise e poderá contaminar a sucessão presidencial. Prefeririam tirar logo da pauta o tema das CPIs e concentrar a comunicação palaciana nos bons resultados da economia.

0 Comentários:

Postar um comentário

<< Home