sábado, 22 de outubro de 2005

Análise: O prisioneiro

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 22 de fevereiro de 2005 - O cidadão brasileiro José Dirceu de Oliveira e Silva que compareceu ontem à entrevista coletiva na Câmara não era o parlamentar ameaçado de cassação ou o ex-ministro da Casa Civil. Quem falou aos jornalistas foi o prisioneiro de guerra Zé Dirceu, general que se deixou capturar atrás das linhas inimigas e que enfrenta solitariamente a conseqüência da queda.
O conflito bélico entre o Planalto e o Congresso entrou numa fase de equilíbrio estratégico, que só deve ser rompido nas eleições. A oposição perdeu o tempo político de pedir o impeachment de Lula. Ela teve seu momento ideal, quando Duda Mendonça admitiu ter recebido dinheiro ilegal no exterior pela campanha de 2002.
Mas, se a hora da oposição passou, tampouco o governo tem força para impor algo mais que uma agenda medíocre. A ambição do círculo palaciano é chegar às urnas em 2006 em situação de normalidade, para poder trombetear crescimento econômico, empregos e Bolsa Família. Em resumo, o Planalto não quer marola.
O front estabilizou-se. Em meio à aparente calmaria, os cassáveis aguardam o pelotão de fuzilamento, à espera de um milagre. O mais ilustre é Dirceu, que desempenha disciplinadamente seu papel na batalha de propaganda em defesa do PT, para tentar evitar a desconstrução do projeto a que deu metade da sua vida.
Neste fim de semana tem a reunião do diretório do PT e o congresso do PCdoB. Não se sabe se haverá alguma faixa pedindo "Anistia para Zé Dirceu".

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