domingo, 16 de outubro de 2005

Análise: O outubro vermelho

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 16 de outubro de 2005
- Em junho deste ano, na linha ascendente da crise política, Luiz Inácio Lula da Silva abriu o coração para um assessor muito próximo. Disse que iria esperar até outubro para decidir sobre a candidatura em 2006. Lula nunca deixou de desejar mais quatro anos no Palácio do Planalto. Mas tinha dúvidas sinceras a respeito de como atravessaria a tempestade que se avolumava. “Só concorro se estiver bem daqui a uns quatro meses”, garantiu ao interlocutor.
Outubro chegou. Não chega a ser um “outubro vermelho” clássico, mas Lula está bem. Não é mais o favorito absoluto a sua própria sucessão, mas não se transformou no “pato manco” que a oposição previa. A aprovação de seu governo estabilizou-se num nível razoável e ele continua competitivo nas intenções de voto. Bate com folga todos os candidatos, menos José Serra. Mesmo na disputa com o prefeito tucano, sua desvantagem é leve.
O que deu certo para Lula, ou errado para a oposição? A economia não foi contaminada pelo terremoto de acusações e denúncias. E as três Comissões Parlamentares de Inquérito dão a impressão de terem atolado num ponto da estrada muito distante de qualquer achado que possa atingir o presidente no coração. As CPIs estão mais perto da própria desmoralização do que de derrubar Lula. E ele faz questão de lembrá-las disso quase todos os dias.

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