sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Análise: O fantasma do caixa 2

Alon Feuerwerker

O Conselho de Ética deu sinais nos últimos dias de que não vai aliviar as penas de quem estiver, comprovadamente, vinculado a operações de caixa 2. Esse crime eleitoral é forte candidato a uma promoção. O que antes era algo banal, coisa menor, agora deve virar motivo para cassação de mandato, por incompatibilidade com o decoro parlamentar.
O relatório de Josias Quintal (PSB-RJ) sobre o caso de Romeu Queiroz (PTB-MG) sofre resistências no PSDB, mas deve ser aprovado e criar jurisprudência. A partir daí, para Queiroz e outros beneficiários do dinheiro proveniente de Marcos Valério, salvação só no plenário.
O parecer do ex-secretário de Segurança do Rio resolve um grave problema para os conselheiros. Volta e meia o conselho é acusado de ser um “tribunal de exceção”. Se condenar sem provas ou sem critérios, vai reforçar os acusadores. O único elo que implica a maioria dos réus é caixa 2, já confessado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. A conclusão é inevitável.
A operação não deixa de ter um risco alto. Antes de ser cassado, Roberto Jefferson disse que quase todos os partidos operam dinheiro ilegal nas eleições. Não foi contestado. Teoricamente, a criminalização extrema do caixa 2 deixa a maioria do Congresso muito vulnerável. O ambiente entre os deputados do Conselho de Ética, porém, é de “pagar para ver”.
Se mais alguém for fisgado, paciência. Será o custo para “limpar” a imagem da casa e afastar a idéia de que está no forno uma grande pizza. Qualquer conversa a sério com deputados atualmente leva à mesma conclusão. Eles farão o necessário para ter algo a dizer aos eleitores quando forem pedir um novo mandato no ano que vem.

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