domingo, 18 de setembro de 2005

A volta do crescimento de uma legenda

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 18 de setembro de 2005 - Silenciosamente, o PMDB vai recolhendo os náufragos da crise política e ensaia tornar-se uma alternativa real de poder em 2006. PSDB e PFL ocuparam a linha de frente da operação para esquartejar o PT e aliados nas três CPIs, mas quem colhe os resultados é o PMDB. Tucanos e pefelistas estão todo dia no noticiário, mas quem ameaça emergir do cenário de batalha como a principal força política do pós-crise é o PMDB.
Na próxima semana, o partido deve passar o PT em número de deputados e se transformar na maior bancada, a exemplo do que já acontece no Senado. "Vamos chegar logo a 100 deputados", diz o líder na Câmara, Wilson Santiago (PB), que hoje já comanda 85 e já prevê a possibilidade de colocar um correligionário na cadeira a ser desocupada por Severino Cavalcanti.
O PMDB está também perto de chegar a 10 governadores, com a filiação de mais três: Blairo Maggi (MT), Eduardo Braga (AM) e Paulo Hartung (ES). Espera a refiliação do vice-presidente da República, José Alencar, recém saído do PL e de olho no governo de Minas Gerais. Já tem três ministros e negocia com mais um, Alfredo Nascimento, dos Transportes.
O último obstáculo à entrada de Nascimento é sua pretensão de disputar um cargo majoritário no Amazonas em 2006. As duas vagas estão ocupadas por candidatos à reeleição: o próprio Braga e o senador Gilberto Mestrinho.
A engorda do PMDB animou a disputa interna na legenda para definir o nome que vai enfrentar a sucessão presidencial. No final do ano passado, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho era uma espécie de Dom Quixote em defesa da candidatura própria à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva. Timidamente, o governador gaúcho Germano Rigotto tentava fazer-lhe sombra, mas a ala governista dava como certo o apoio à reeleição de Lula.
O desenvolvimento da crise fez o grupo lulista cair na real e admitir que a candidatura própria é hoje irreversível. Essa percepção precipitou-se quando, há algumas semanas, o governador pernambucano, Jarbas Vasconcelos, passou a movimentar-se como presidenciável. Na mesma época, os principais dirigentes do partido tiveram uma conversa franca com Garotinho. Disseram que a chance de ele ser o candidato é pequena. Garotinho não acusou o golpe, mas começou a buscar alternativas.
Uma delas é o PTB, sobre o qual já teve conversas com o ex-presidente da legenda, Roberto Jefferson.

Verticalização
Ter um candidato forte à presidência será mais importante para o PMDB se o partido não conseguir derrubar a verticalização, que proíbe os partidos de incluírem nas alianças regionais legendas que disputem a eleição nacional em outra coligação. O presidente Lula vem sendo pressionado pelo partido a retirar as medidas provisórias que bloqueiam a pauta na Câmara, para que a verticalização seja revogada por emenda constitucional.
O prazo para isso é o fim de setembro, pois as regras eleitorais devem estar fixadas pelo menos um ano antes da eleição. Outra alternativa é adiar até 31 de dezembro a data-limite para mudanças nas regras de 2006. Projeto nesse sentido foi aprovado na última terça-feira na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados.

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