quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Virgílio, candidato do baixo clero

Alon Feuerwerker e Denise Rothenburg

Correio Braziliesne, 21 de setembro de 2005 - O deputado federal Virgílio Guimarães (PT-MG), que disputou e perdeu a eleição de fevereiro para presidente da Câmara dos Deputados, vai entrar na briga pela cadeira de Severino Cavalcanti. O martelo foi batido em reunião do "Movimento Câmara Forte" ontem à noite na própria Câmara. Em respeito a Severino, nenhuma ação pública será feita até que o deputado pernambucano se afaste definitivamente do cargo, o que está previsto para acontecer hoje.
Cerca de 30 parlamentares passaram pela reunião. O "Câmara Forte" sustentou a candidatura de Virgílio no começo do ano, depois que o PT escolheu Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) para suceder João Paulo Cunha (SP). No primeiro turno, Virgílio obteve 117 votos. Severino recebeu 124, e essa diferença de sete votos levou-o ao segundo turno, onde bateu Greenhalgh por 300 a 195.
Os aliados de Virgílio avaliam que há espaço para uma candidatura que aglutine votos dados a ele e a Severino na eleição de fevereiro. Acreditam que o PT não conseguirá unir a base aliada em torno do nome escolhido pela bancada. Sem alternativas, isso abriria espaço para a oposição ganhar as eleições. Acham que, desta vez, o Palácio do Planalto pensará duas vezes antes de aderir à política do "quanto pior, melhor". Em fevereiro, governistas trabalharam para transferir votos de Virgílio para Severino no primeiro turno, supondo que isso facilitaria a vitória de Greenhalgh.
No vácuo criado pela virtual saída de Severino Cavalcanti, o assim chamado "baixo clero" está órfão. São deputados que aparecem pouco no noticiário, mas têm enraizamento regional e municipal. PT e oposição apresentam nomes que, na avaliação dos líderes do "Câmara Forte", não respondem a uma parte das demandas dos parlamentares. É o que Virgílio chamou, na campanha de fevereiro, de "garantir a governabilidade dos mandatos dos deputados". Por exemplo, reforçar a liberação dos recursos destinados pelos parlamentares a estados e municípios. As famosas emendas ao orçamento.

Especulação
Durante todo o dia de ontem, nomes do "baixo clero" foram objeto de especulação na Câmara dos Deputados. Entre eles o corregedor Ciro Nogueira (PP-PI), Nilton Capixaba (PTB-RO) e João Caldas (PL-AL). A candidatura de Virgílio deve esvaziar as movimentações em torno deles.
Em maio, o Diretório Nacional do PT decidiu suspender os direitos partidários de Virgílio por 12 meses, por causa da candidatura rebelde de fevereiro. No momento, ele está impedido de votar e ser votado nas instâncias do partido e de exercer cargos de representação partidária na Câmara.
"Se o PT tiver juízo desta vez, vai entender que, como em fevereiro, Virgílio pode ser a saída para o governo não ser derrotado", diz um dos apoiadores do deputado mineiro.

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