quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Sucessão decidida no voto

PT reage a avalanche da oposição e tem pelo menos quatro candidatos para disputar a sucessão de Severino Cavalcanti. Tarso Genro quer restabelecer a tradição da Casa e o partido fazer o presidente

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 21 de setembro de 2005 - Ontem, finalmente, o PT decidiu agir. Vai apresentar hoje aos líderes da base aliada quatro possíveis nomes do partido para presidir a Câmara dos Deputados em substituição a Severino Cavalcanti. "Não há veto na bancada a nenhum deles. Qualquer um dos quatro terá o apoio do coletivo para disputar a presidência", disse à noite o líder Henrique Fontana (RS). "O PT não quer repetir o erro do início do ano, quando impôs um nome", afirma Fontana. O partido tem 89 dos 513 deputados.
Os nomes na mesa são o líder do governo, Arlindo Chinaglia (SP), José Eduardo Cardozo (SP), Sigmaringa Seixas (DF) e Paulo Delgado (MG). "O ponto de partida é restabelecer a normalidade e a tradição institucional da Casa", afirma o presidente do PT, Tarso Genro. Com o maior número de deputados, o partido reivindica que o novo presidente saia de seus quadros, norma informal rompida pela primeira vez por Severino na eleição de fevereiro deste ano.
Genro e Fontana reuniram a coordenação da bancada do PT no final da tarde de ontem, após se encontrarem pela manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner. Concluíram que enquanto o governo divaga sobre uma hipotética candidatura de consenso, a oposição e o PMDB vêm criando fatos políticos diariamente e ameaçam deixar os petistas completamente isolados.
Nas últimas 48 horas, o PSDB garantiu ao PFL que ambos estarão aliados na sucessão de Severino. Ou seja, os tucanos assumiram o compromisso de apoiar o atual primeiro vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô. "Vamos caminhar unidos", confirma o líder Alberto Goldman (PSDB-SP). Quando eclodiu a crise em torno do presidente da Câmara, os tucanos admitiam apoiar um nome do PT, mas refluíram diante da divisão petista e das idas e vindas do partido para assinar a representação contra Severino no Conselho de Ética. Juntos, PFL e PSDB somam 108 deputados.
O PMDB, com 86 deputados, espera que na luta entre governo e oposição a presidência da Câmara lhe caia no colo. O presidente do partido, Michel Temer (SP), é um nome forte, desde que consiga ampliar os apoios e superar a resistência interna reunida em torno do relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PR).

Receio
Ontem, a consolidação da aliança entre tucanos e pefelistas e a decisão petista de concorrer acabaram emparedando a alternativa peemedebista. Para complicar, as demais forças políticas vêem com desconfiança o forte vínculo entre Temer e o pré-candidato do partido à presidência da República, Anthony Garotinho. E receiam entregar as duas Casas do Congresso ao PMDB, que já preside o Senado com Renan Calheiros (AL).
A esquerda não aliada ao governo (PPS, PDT e PV) articula-se para ter candidato próprio, mas vê com simpatia a possibilidade de apoiar Nonô. Ontem pela manhã, o PDT avaliava a possível candidatura de Sérgio Miranda (MG), que deixa o PC do B e vai engrossar a bancada do partido de Leonel Brizola. O próprio Miranda, porém, avisou ao PDT durante o dia que não quer entrar na disputa. Assim, cresce a chance de uma aliança com o candidato do PFL.
"Uma boa solução seria Nonô na presidência e um nome do PT para a vaga que se abriria na primeira vice", defende o presidente do PPS, deputado federal Roberto Freire (PE). "Assim corrigiríamos o erro cometido em fevereiro, quando o PT acabou ficando fora da Mesa." O líder Fontana rejeita a proposta. "Ela desvaloriza o papel do PT dentro da Casa", diz. PPS, PDT e PV têm, somados, 37 deputados e reúnem-se hoje para decidir o que fazer.
Ainda na base aliada, o PSB, com 21 deputados, e o PTB, com 45, decidiram ontem lançar candidatos. Os mais cotados são o trabalhista Luiz Antonio Fleury (SP) e o socialista Beto Albuquerque (RS).
A escolha do novo presidente acontece cinco sessões após a saída de Severino. A votação será secreta. Se nenhum dos candidatos alcançar 257 votos, haverá segundo turno entre os dois mais votados.

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