quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Sucessão aberta

Troca de comando na Câmara dos Deputados começa a ser negociada pelos líderes dos partidos


Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 7 de setembro de 2005 - Líderes partidários já começam a costurar a sucessão de Severino Cavalcanti. A maioria avalia que, por enquanto, não há provas definitivas para cassar o mandato do presidente da Câmara dos Deputados. Mas há um consenso: se ele não apresentar uma defesa irrefutável na volta dos Estados Unidos, não conseguirá reunir forças para barrar o processo político desencadeado pelas acusações de recebimento de propina.
Como o Correio antecipou ontem, a possível sucessão antecipada de Severino Cavalcanti é vista no comando político do governo como operação de alto risco. O Regimento Interno da Câmara dos Deputados dá a Severino o poder de decidir se um pedido de impeachment do presidente da República segue em frente ou vai para o arquivo. O Palácio do Planalto considerava a variável Severino controlada desde que Luiz Inácio Lula da Silva indicou um aliado dele, Márcio Fortes, para o Ministério das Cidades. Agora, tudo mudou.
Ontem no final da tarde, o ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner, reuniu, em seu gabinete, o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), o deputado e ex-ministro Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o presidente do PSB, deputado Eduardo Campos (PE) e o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Chegaram à conclusão de que o mais prudente no momento é deixar o caso Severino amadurecer sem o envolvimento direto do Executivo. Mas o governo sabe que precisa se mexer com rapidez e eficiência, pois se deixar a escolha do substituto evoluir para uma disputa em plenário há possibilidade real de derrota.
O partido mais empenhado na busca de alternativas é o PFL. Os pefelistas têm o vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô (AL). Em caso de licença do presidente da Câmara, o vice assume até a volta do titular. Se houver a renúncia ou cassação, Nonô é obrigado a convocar nova eleição no prazo de cinco sessões, cerca de duas semanas. Lideranças pefelistas têm esperança de efetivar Nonô, um nome respeitado pelos colegas. O vice está afastado das negociações, pois Severino, prudentemente, levou-o junto na viagem a Nova York. A condição do PFL para apoiar qualquer candidato é ele ser independente em relação ao Palácio do Planalto.

Aliança ampla
A discussão no PSDB está no início, mas o partido já mandou sinais ao PT de que poderia aceitar um petista, se ele conseguir costurar uma aliança ampla em torno da reconstrução da imagem do Legislativo. Os tucanos também colocam como condição a autonomia diante do governo. “O presidente Severino Cavalcanti deve ter direito a uma ampla defesa, mas se a situação evoluir para a necessidade de substituição, apenas um nome com apoio maciço poderá levar a Câmara dos Deputados de volta à normalidade”, diz o líder do PSDB, deputado Alberto Goldman (SP).
Mesmo na base governista, já há movimentos. Parte dos deputados propõe que o nome saia do PT, para restabelecer a tradição de a Casa ser comandada pelo maior partido, quebrada com a eleição de Severino no começo deste ano. Outros acreditam que um deputado não petista teria as melhores condições de reunir o apoio necessário para evitar a repetição da derrota de fevereiro.

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