sábado, 17 de setembro de 2005

Relator de CPI na fila da sucessão


Alon Feuerwerker


Correio Braziliense, 17 de setembro de 2005 - Enquanto o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, defendia ontem em seu estado a busca de um consenso entre governo e oposição para a provável sucessão de Severino Cavalcanti (PP-PE), o ônibus dos pré-candidatos à presidência da Câmara ganhou mais um passageiro: o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR). O nome de Serraglio surge em contraposição a Michel Temer, que até ontem era o único peemedebista em movimentação para assumir o cargo.
Governistas e oposicionistas do PMDB apostam que o PT fracassará novamente na tentativa de unir-se em torno de um único nome, e que perderá a oportunidade de retomar a cadeira perdida para Severino. Aí, um peemedebista poderá aparecer como solução aceitável. “A bancada quer o cargo”, disse um dos cardeais do partido. O PMDB tem um trunfo adicional: na próxima semana, deverá passar a barreira dos 90 deputados e transformar-se no maior partido da Casa, contando sempre com as possíveis defecções no PT após a eleição interna marcada para este fim de semana.
O PSDB e o grupo que se alinha ao senador Antônio Carlos Magalhães (BA) no PFL já sinalizaram ao Palácio do Planalto que admitiriam apoiar um petista, desde que consultados e que o candidato não tenha alinhamento automático ao governo. Mas essa posição de tucanos e carlistas tem perdido espaço diante da divisão do PT. José Eduardo Cardozo (SP), Sigmaringa Seixas (DF) e Paulo Delgado (MG) podem ter o apoio da oposição, mas enfrentam dificuldades para consolidar-se na bancada do seu próprio partido, onde o mais forte é Arlindo Chinaglia (SP).
No PMDB, Michel Temer saiu na frente, mas enfrenta resistências. Causa desconforto nos grande partidos a hipótese de o PMDB ficar com três dos quatro cargos na linha de sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, Temer é adversário político declarado de Lula e o presidente da Câmara dos Deputados é quem decide se um processo de impeachment do presidente da República vai em frente ou é arquivado.

Aécio
Segundo a Agência Estado, Aécio classificou a situação como “extremamente grave” e disse que, “certamente, algum desfecho acontecerá no início da (próxima) semana”. “O Congresso está extremamente fragilizado para suportar uma outra disputa", disse o governador mineiro. “Não é hora nem de o governo impor nomes, achando que desse episódio pode reconquistar a lealdade ou a fidelidade absoluta da presidência da Câmara ao governo federal. Tampouco a oposição deve buscar nesse episódio uma oportunidade para criar dificuldades maiores ao governo, colocando um oposicionista na presidência da Câmara.”
Em caso de licença de Severino, o primeiro vice, José Thomaz Nonô (PFL-AL), assume até a volta do titular. É a possibilidade que apavora o governo. Se Severino deixar definitivamente o cargo, acontece nova eleição no prazo de cinco sessões, cerca de duas semanas.

0 Comentários:

Postar um comentário

<< Home