sábado, 24 de setembro de 2005

PT aposta em Chinaglia

A sucessão de Severino Cavalcanti começa a esquentar na Câmara. Além do pefelista Thomaz Nonô e do deputado petista, Michel Temer também está na disputa depois que o PMDB oficializou a sua candidatura

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 22 de setembro de 2005 - A base aliada corre atrás de um candidato que possa vencer a oposição na escolha do próximo presidente da Câmara dos Deputados, prevista para acontecer até daqui a uma semana. PFL e PSDB unificaram-se em torno do primeiro vice-presidente da Casa, José Thomaz Nonô (PFL-AL) e já contam com a simpatia do PPS. Os três somam juntos 123 deputados. São necessários 257 para ganhar a eleição. Mas, enquanto a oposição já marcha unida, os partidos governistas lançam cada um seu nome. Pelo menos seis deputados estão na corrida. Essas candidaturas são também o primeiro passo para os partidos negociarem a composição da nova Mesa Diretora.
A bancada do PT, com 88 deputados, convergiu na noite de ontem por unanimidade em torno do líder do governo, Arlindo Chinaglia (SP). Nem foi preciso haver votação. Uma reunião de duas horas tomou duas decisões: lançar Chinaglia e adotar todas as providências para não deixar a oposição tomar a Presidência. Ou seja, se houver a ameaça de derrota, o PT admite apoiar um nome de outro partido. Mas Chinaglia saiu otimista do encontro: “A partir de amanhã (hoje) estou em campanha”.
Mesmo a esquerda petista, sempre propensa à rebelião, admite votar nele. “Nonô é a direita”, justifica o deputado Ivan Valente (SP). O PSB, com 21 parlamentares, indicou o vice-líder do governo Beto Albuquerque (RS). O PL, com 48, decidiu apresentar o quarto-secretário da Mesa, João Caldas (AL). O PTB, com 45, consolidou a indicação de Luiz Antonio Fleury (SP). O PP, com 52, reuniu-se e apresentou o ex-ministro Francisco Dornelles (RJ).
O PMDB, com 87 deputados, oficializou ontem, também por unanimidade, o nome do presidente nacional do partido, Michel Temer (SP). “Estou acostumado a crises, foi assim no governo de São Paulo, quando assumi a Secretaria de Segurança Pública”, disse Temer na saída da reunião que aprovou sua indicação.
No baixo clero, os deputados que aparecem pouco no noticiário, mas têm peso e enraizamento regional, o petista mineiro Virgílio Guimarães começou ontem a movimentar-se em busca de apoios. Virgílio disputou e perdeu em fevereiro a eleição para Severino Cavalcanti (PP-PE), contra a posição oficial do PT, que apoiava Luiz Eduardo Greenhalgh (SP). Em conseqüência, foi suspenso por um ano das atividades partidárias. Nesse mesmo eleitorado, corre por fora o corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI).
Com o lançamento de candidatura majoritariamente partidárias, a sucessão de Severino adquire um certo aspecto institucional. A corrida agora mostrará qual dos candidatos reúne mais apoio para ir ao segundo turno, e para vencê-lo. “Não basta dizer que tal nome tem votos suficientes para chegar ao segundo turno, é preciso saber quem reúne mais condições de vencer o bloco PSDB-PFL na decisão”, diz o deputado federal Marcelo Barbieri (PMDB-SP).
Os outros nomes do PT que disputavam a indicação, Sigmaringa Seixas, José Eduardo Cardozo (SP) e Paulo Delgado (MG), perderam força na manhã de ontem, quando uma reunião de líderes aliados indicou que Chinaglia seria o preferido da base entre os petistas. À noite, os líderes reuniram-se novamente para tentar um consenso.

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