sexta-feira, 30 de setembro de 2005

Pressão para levar no primeiro turno

O rolo compressor do governo atrai o PL e ainda tenta convencer o PP a desistir da candidatura em favor de Aldo

Alon Feuerwerker e Sandro Lima

Correio Braziliense, 28 de setembro de 2005 - O Palácio do Planalto desencadeou ontem à noite uma operação com o PP para que a legenda apóie já no primeiro turno da eleição de hoje o candidato da aliança PT-PSB-PCdoB à presidência da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), sustentado pelo governo. Até o fechamento desta edição, às 22h30, o partido resistia a retirar seus nomes da disputa, principalmente Ciro Nogueira (PI) (leia mais na página 3). A cúpula do PP discutiu o assunto em reunião que terminou às 22h na Câmara. Não houve acordo e novo encontro está marcado para as 8h de hoje. O governo teme que a inevitável polarização num eventual segundo turno repita o “efeito Severino”, a união entre oposição e baixo clero que permitiu a eleição de Severino Cavalcanti em fevereiro. Antes, ao longo do dia, o Planalto havia conseguido uma vitória parcial: obteve o apoio do PL, que antes tinha como candidato o deputado João Caldas (AL). A sessão que vai escolher o novo presidente está marcada para as 10h. Logo pela manhã, Aldo se encontrou com o ministro de Relações Institucionais, Jaques Wagner, para fazer um balanço da campanha e traçar a estratégia em busca das últimas alianças. O apoio do PL foi obtido após negociações com o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, o líder Sandro Mabel (GO) e o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que é do partido. Nascimento discutiu o assunto diretamente com o presidente Lula, enquanto Mabel e Valdemar conversavam com Wagner. O governo garantiu a liberação de R$ 700 milhões para os Transportes, já previstos no orçamento mas que vêm sendo retidos por decisão da equipe econômica. O PL manifestou a Wagner o desejo de voltar a ter dois ministérios, já que o vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, deixou a sigla. Citou a Educação ou a Previdência como objetos de desejo. O partido tem 45 deputados e disse ao governo que pelo menos 40 votarão em Aldo. Oficialmente, a assessoria do ministro Jaques Wagner informa que não haverá reforma ministerial em conseqüência da eleição na Câmara.

Inocêncio
Ao longo dos últimos três dias o PL tentou atrair o apoio de pelo menos mais um partido para lançar a candidatura de Inocêncio Oliveira (PL-PE), recém-filiado à sigla. “Como não foi possível, entendemos que o melhor era compor com o Aldo em torno de uma candidatura forte”, afirmou Sandro Mabel após a reunião da bancada liberal que referendou a aliança, por unanimidade. Sobre a liberação dos recursos para o Ministério dos Transportes, Mabel negou que tenha havido barganha. “Só queremos poder tocar nosso ministério de maneira eficiente, só queremos que o ministro receba da área econômica o dinheiro que sempre é prometido.” Ele relatou que, na reunião, o próprio Inocêncio defendeu que o PL fizesse o “gesto” de apoiar Rebelo, pois isso poderia ser a senha para a reaglutinação da base governista. “Na política, há momentos em que o mais importante é o gesto”, disse Inocêncio à bancada. Apesar do engajamento na campanha, o presidente Lula estará hoje fora de Brasília. Ele vai a Eunápolis, no sul da Bahia, onde participa da inauguração da fábrica de celulose Veracel. Também visita o assentamento “Lulão” e se encontra com lideranças do movimento sem-terra na Bahia. Na contabilidade governista, Aldo Rebelo está no patamar de 180 votos. O candidato da oposição, José Thomaz Nonô (PFL-AL) tem cerca de 140 votos, conforme avaliação de seus principais articuladores. Ambos são favoritos para ir ao segundo turno. Só vence no primeiro turno o candidato que conseguir maioria absoluta dos votos válidos, que excluem os nulos.

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