sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Palocci ameaça e livra o irmão

CPI dos Correios rejeitou requerimento para a convocação de Adhemar Palocci, atual diretor da Eletronorte. Suspeito de envolvimento em esquema de caixa 2 do PT foi salvo por 14 votos a 5

Rodrigo Lopes e Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 16 de setembro de 2005 - O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, mandou avisar ontem aos membros da CPI dos Correios que renunciaria imediatamente ao cargo se o irmão dele, Adhemar Palocci, fosse convocado a depor na comissão. Disse ainda que, nesse caso, ele próprio iria à CPI, e não o irmão. Funcionou. O requerimento para convocar Adhemar Palocci, do deputado Antônio Carlos Magalhães Neto, foi rejeitado por 14 a 5.
Ex-secretário de Finanças da Prefeitura de Goiânia e atual diretor de Engenharia e Planejamento da Eletronorte, o irmão do ministro é suspeito de envolvimento em suposto esquema de caixa 2 do PT naquela cidade, além de tráfico de influência. A acusação envolve a Interbrazil. A seguradora, que tinha estatais como clientes, teria feito contribuições não-registradas para a campanha à reeleição de Pedro Wilson no ano passado, ex-prefeito petista que governou Goiânia de 2001 a 2004.
O dono da seguradora, Andre Marques Silva e o dirigente da Superintendência de Seguro Privados (Susep), René Garcia Júnior, porém, vão ter que se explicar na comissão. Os depoimentos ainda não têm data marcada.
A CPI também aprovou outros requerimentos, entre eles o que solicita rastreamento e bloqueio das contas bancárias no exterior do publicitário Duda Mendonça e sua sócia Zilmar Fernandes. Outro requerimento solicita ao governo os contratos celebrados com empresas de publicidade desde 1994 pela administração federal. As empresas citadas no requerimento são DM9, Propeg, DPZ, Lew Lara e Duda Mendonça Propaganda.
A coordenadora-geral do Departamento de Recuperação de Ativos do Ministério da Justiça, Wannine Lima, explicou à CPI como estão as investigações relacionadas à Dusseldorf, que Duda Mendonça mantém nas Bahamas, e pediu cautela, já que a pressa pode afetar o rigor dos trabalhos.
O ministério analisa dois pedidos para a quebra de sigilo no exterior e deve remetê-los até a próxima semana aos Estados Unidos. Um deles mira nas contas de Duda, de Zilmar e da Dusseldorf, offshore aberta para receber dinheiro que o PT devia. Todas essas contas estão no BankBoston, em Miami.
A PF pediu a quebra de sigilo da Kanton Bussiness, do Banco Rural Europa, da GD International, da Deal Financial, da Esfort Trading e do Trade Link Bank, empresas que teriam abastecido a conta da Dusseldorf. No inquérito que apura a existência do mensalão, a PF dispõe ainda de 15 dias para as investigações e não descarta, ao final dele, sugerir o indiciamento de Duda, Zilmar, Marcos Valério e do doleiro Jader Kalid, por crime contra o sistema financeiro, evasão de divisas e formação de quadrilha.

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