sábado, 24 de setembro de 2005

Oposição namora PL, PP e PTB

Estratégia dos partidos que apóiam José Thomaz Nonô é atrair integrantes do baixo clero para vencer o candidato do governo no segundo turno. O pefelista diz que será uma disputa de “alto nível”

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 24 de setembro de 2005 - Nas últimas 24 horas, a oposição decidiu se concentrar na caça individual de votos na base governista, especialmente PP, PTB e PL, para levar José Thomaz Nonô (PFL-AL) à presidência da Câmara dos Deputados. “Estamos conversando com os parlamentares individualmente nos estados, e a receptividade tem sido bastante boa”, diz o líder do PSDB, Alberto Goldman (SP).
Pelas contas do tucano, Nonô já tem a maioria dos votos de PFL, PSDB, PPS, PDT, PV e Prona. Algo entre 120 e 140. Imagina contar com pelo menos mais 35 no PMDB, da ala que combate o Palácio do Planalto. E outros 15 no PP, PTB e PL. Estaria, portanto, em torno dos 180 que tradicionalmente votam contra o governo na Câmara. No caso de haver segundo turno, esses números dariam uma das duas vagas a Nonô.
Mas, ter perto de 200 votos e uma vaga no turno decisivo não é tudo. Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) tinha isso e acabou derrotado em fevereiro por Severino Cavalcanti. Para ganhar, a oposição precisa avançar na conquista de adesões no campo governista. Goldman está otimista. “O governo há muito que não consegue unificar a base”, aposta.

Esperanças
Os oposicionistas acreditam que os pontos frágeis nas linhas de defesa do governo estão, principalmente, no PTB, PL e PP. Os três têm, somados, 144 deputados. Os três possuem candidatos à vaga de Severino e esperanças de vencer a corrida com o apoio do chamado baixo clero, os deputados que aparecem pouco no noticiário mas têm forte base regional ou municipal.
Reservadamente, articuladores da candidatura Nonô admitiam ontem no final da tarde alguns contratempos. Disseram sentir que a sustentação no PPS e no PDT enfraqueceu. Afirmaram que o perfil marcadamente oposicionista do candidato dificulta a ampliação dos apoios. E que os ataques de tucanos ao PP e ao PL, chamados pelos tucanos de “partidos do mensalão”, não facilitam a penetração nessas bancadas.
Uma variável que poderia criar dificuldades a Nonô seria o fortalecimento de um candidato do baixo clero. Os dois nomes mais fortes para essa eventualidade seriam Ciro Nogueira (PP-PI), João Caldas (PL-AL) ou Inocêncio de Oliveira (PL-PE) (leia mais na página 4).
O líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), criticou ontem a escolha do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) como candidato do governo, segundo a Agência Folha. “Aldo é um grande deputado, mas ele é testemunha de defesa do José Dirceu. Como pode ser juiz? Como pode presidir o julgamento?”. Para o líder da minoria, “o governo cometeu mais um grande equívoco ao escolher Aldo para candidato”.
Já o candidato Nonô disse considerar “normal” que o governo tenha candidato à presidência da Câmara. Disse ter recebido um telefonema em que Aldo lhe comunicou que disputaria. “Vai ser uma disputa em alto nível”, afirmou.
Rebelo, ex-ministro da Coordenação Política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi escolhido na noite de quinta-feira candidato de três partidos da base aliada do governo: PT, PSB e PCdoB, que somam 118 deputados.
O líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), afirmou que qualquer presidente da Casa pode ter opinião a favor ou contra a cassação de deputados, mas deve seguir o que consta no regimento. “A presidência da Casa e o ato de presidir sempre serão atos de caráter republicano dentro do regimento, respeitando o direito ao contraditório e fazendo com que a Casa se expresse. O papel do presidente é garantir um ambiente para que a Casa se expresse por maioria a cada momento”, afirmou Fontana.
O líder do PT disse ainda que não vê problemas em Aldo ter sido ministro do governo Lula. “Qualquer presidente que aqui esteja será de um partido que também pode estar do outro lado da rua no Palácio do Planalto.”

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