terça-feira, 27 de setembro de 2005

Ministros entram na campanha de Aldo

Cálculos iniciais do governo apontam que ex-ministro da Coordenação Política teria 185 votos no primeiro turno da sucessão na Câmara. A prioridade do Planalto é atrair mais apoios no PP, PL e PTB

Alon Feuerwerker e Sandro Lima

Correio Braziliense, 27 de setembro de 2005 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem aos ministros, que participaram da reunião de coordenação política no Palácio do Planalto, esforço máximo pela vitória do candidato da aliança PT-PSB-PCdoB à presidência da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). O presidente avalia que a batalha pela sucessão de Severino Cavalcanti é decisiva para seu governo. O sucesso na disputa, acredita, seria um marco na reconstrução da base aliada e na superação da crise política. Pelos cálculos do Planalto, Aldo estaria hoje com cerca de 185 votos (veja abaixo).
Lula determinou aos ministros de Relações Institucionais, Jaques Wagner; da Casa Civil, Dilma Rousseff; da Integração Nacional, Ciro Gomes; e da Justiça, Márcio Thomaz Bastos; que trabalhem intensamente pela candidatura de Aldo. Além deles, os ministros do PMDB e o ministro das Cidades, Márcio Fortes, se engajaram na candidatura governista. O governo lutará até o último momento para angariar o maior número de apoios no PP, no PL e no PTB. Na última sexta-feira, o Palácio do Planalto anunciou a liberação de R$ 500 milhões em emendas de parlamentares ao Orçamento. Apesar do otimismo de Lula, assessores do presidente acreditam na vitória de Aldo, mas somente no segundo turno.
Aldo registrou sua candidatura ontem no final da tarde. Em entrevista coletiva, disse que o momento é de “restabelecer a confiança da sociedade” na Câmara dos Deputados e “buscar a dignidade da Casa”. Ao lado dele, o líder do PT, Henrique Fontana, estava otimista. “Eu me arrisco a dizer que ele terá todos os votos da bancada”, afirmou. Perguntado se considerava possível uma decisão já no primeiro turno, o candidato foi cético: “Estatisticamente, com tantos nomes, não é provável”.
Até a noite de ontem, mais seis deputados, além do próprio Aldo, já haviam feito a inscrição: Alceu Collares (PDT-RS), Ciro Nogueira (PP-PI), Francisco Dornelles (PP-RJ), Jair Bolsonaro (PP-RJ), João Caldas (PL-AL) e Luiz Antônio Fleury (PTB-SP).
O candidato procurou rebater o argumentos de que, por ter sido líder do governo e ministro da Coordenação Política, não teria independência para presidir a Casa. “Não acredito que o fato de ter sido do governo ou da oposição tenha alguma influência.” Defendeu-se da acusação de que não poderia presidir a Câmara por ser testemunha de defesa do deputado José Dirceu (PT-SP) no processo no Conselho de Ética. “Todo presidente respeitará os órgãos internos, como a corregedoria e o Conselho de Ética, e a Constituição.”
Disse que vai zelar pela independência dos poderes. “Em alguns momentos, haverá confluência, unidade; em outros, conflito, negociação.” Aldo afirmou que, se eleito amanhã, no dia seguinte abrirá o debate em plenário da reforma eleitoral, especialmente das medidas aprovadas pelo Senado que reduzem os custos das campanhas eleitorais.

Alianças
Aldo tem hoje um patamar de votos semelhante ao de Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), derrotado por Severino Cavalcanti em fevereiro. A diferença, dizem os articuladores da candidatura, é que será improvável a repetição da aliança que elegeu Severino em segundo turno, entre a oposição e o chamado baixo clero, os deputados que aparecem pouco no noticiário. Segundo um aliado, já há conversas com os demais partidos para o entendimento num possível segundo turno. Os governistas acreditam que se a disputa for com o oposicionistas José Thomaz Nonô (PFL-AL) têm condições de obter a maioria dos votos do bloco PP-PL-PTB, partidos que teoricamente formam na base. Se for contra Nogueira, Fleury ou Caldas, pensam ter canais abertos com PSDB e PFL para propor o acordo em nome de uma “solução institucional” para a Casa.

AS CONTAS DOS GOVERNISTAS
Votos para Aldo Rebelo - 185*
Votos para José Thomaz Nonô - 130**
Votos para Ciro Nogueira - 60
Votos para Luiz Antônio Fleury - 40
Votos para Michel Temer - 40
Outros, indecisos e não declarados - 58

* PT — 80 (de 88), PCdoB — 9 (de 9), PSB — 20 (de 21), PMDB — 35 (de 87), PP/PL/PTB — 30 (de 144), PPS/PDT/PV/Prona — 5 (de 39), Outros — 6

** PSDB/PFL — 90 (de 108), PPS/PDT/PV/Prona — 30 (de 39), Outros — 10

0 Comentários:

Postar um comentário

<< Home