sábado, 17 de setembro de 2005

Jereissati mais perto de Serra

Senador busca apoio do prefeito de São Paulo, seu antigo desafeto, para chegar à presidência do PSDB. Tucano cearense já tem respaldo dos governadores Geraldo Alckmin e Aécio Neves para dirigir o partido

Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 17 de setembro de 2005 - O senador tucano Tasso Jereissati (CE) está próximo de contornar o seu maior obstáculo e ser eleito presidente do PSDB na Convenção Nacional marcada para novembro. Nos próximos dias, Tasso deve ir a São Paulo para se encontrar com o prefeito José Serra. A aproximação vem sendo costurada há pelo menos uma semana por parlamentares ligados aos dois políticos. O senador cearense já tem o apoio dos governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin, e Minas Gerais, Aécio Neves, para dirigir o partido.
As pendências políticas entre Serra e Tasso começaram há pouco menos de quatro anos. O então governador do Ceará disputou internamente a candidatura presidencial com o então senador por São Paulo e perdeu. As cicatrizes que ficaram da disputa contribuíram para que Tasso acabasse apoiando Ciro Gomes nas eleições. Ciro, que concorria pelo PPS, ficou fora do segundo turno, no qual Tasso apoiou Serra. Mas o problema político entre os dois caciques tucanos nunca ficou satisfatoriamente resolvido.
O temor de alguns aliados de Serra era que Tasso, na direção do partido, viesse a trabalhar contra uma possível candidatura do prefeito de São Paulo à Presidência da República no ano que vem. Essa preocupação vem sendo dissipada nas conversas tucanas das últimas semanas. Cresce o consenso de que o nome para enfrentar Lula será indicado sem direito a vetos e com base em três critérios fundamentais: desempenho nas pesquisas, capacidade de fazer alianças e preparo para conduzir o país num ambiente politicamente conturbado.
O prefeito leva vantagem em dois dos três quesitos. Após quatro meses de bombardeio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Serra é o único que o ameaça nas pesquisas. Há também certo consenso no PSDB de que o perfil “gerencial” de Alckmin é insuficiente para credenciá-lo como o líder político que pode unir o país para sair da crise.
O ponto fraco de Serra seriam as alianças. Ele tem trânsito na esquerda não petista, como no PPS e no PV. Mas os caciques do PFL, por exemplo, preferem Alckmin ou Aécio. Como trunfo, os “tassistas” têm dito aos “serristas” que as relações do tucano cearense com políticos como os senadores Antônio Carlos Magalhães (BA) e Jorge Bornhausen (SC) poderão ser úteis para limar eventuais arestas no processo de construção de uma aliança dos dois partidos em torno do prefeito.
Os tucanos adotam, nos últimos dias, uma atitude mais cautelosa sobre a sucessão presidencial. Concluíram que Lula poderá chegar à eleição com a economia em forte crescimento. Arquivaram a tese de que qualquer tucano poderia vencer o presidente. Acreditam que só um candidato muito forte, sustentado num amplo sistema de alianças, terá chances de vitória. Assistem, também, com preocupação às conversas iniciais entre o PFL e o PMDB — ainda mais quando os peemedebistas ameaçam tornar-se o maior partido na Câmara e mesmo fazer o possível sucessor de Severino Cavalcanti.

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