sexta-feira, 16 de setembro de 2005

Governo procura Nonô

Rudolfo Lago e Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 16 de setembro de 2005 - Na terça-feira, o governo mandou um emissário conversar com o vice-presidente da Câmara, José Thomaz Nonô (PFL-AL). Queria sondar as suas intenções com relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante da hipótese de assumir o mandato de Severino Cavalcanti (PP-PE). Nonô passaria ao comando da Câmara caso Severino pedisse licença ou renunciasse apenas do cargo de presidente. Mesmo na hipótese de uma nova eleição, no entanto, caso Severino perdesse o mandato por renúncia ou cassação, ele é um dos nomes considerados pela oposição para sucedê-lo. “O governo tem receio, preocupa-se com essa hipótese”, abriu o jogo o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
“Não tem que ter receio de nada”, rebateu Nonô. “Eu tenho absoluta clareza do meu papel institucional. Eu passei um ano fora do país em conseqüência da ditadura. Meu pai foi cassado. Vocês acham que eu vou acatar o pedido de qualquer maluco que vier aqui pedir o impeachment do presidente? Pode ter certeza que eu arquivo na hora”, respondeu Nonô.

Recado
O episódio aponta para a evidência de que, a essa altura, os governistas já admitem que, enfraquecidos, poderão não ser capazes de conquistar a presidência da Câmara na sucessão de Severino. Na semana passada, na terça-feira antes do feriado de 7 de Setembro, o PT estava com uma mão no cargo. Naquele dia, o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) levou um recado aos deputados José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Sigmaringa Seixas (PT-DF). “O PSDB acata facilmente a tese de entregar o cargo à maior bancada, o PT, se o nome for um de vocês”, disse Paes.
Na quinta-feira daquela mesma semana, a conversa ganhou ares mais institucionais, numa reunião entre Chinaglia e o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP). O agravamento da situação de Severino e as reações posteriores do governo e do PT, porém, diminuíram as chances petistas. A posição tímida do partido, que não encampou o pedido de cassação de Severino, foi um agravante. O outro, a falta de unidade interna. Cardozo, o nome mais palatável para a oposição, encontra vetos dentro de seu partido. E os petistas tentam responder com o nome do próprio Chinaglia. Mas mesmos aliados do governo acham a hipótese difícil e admitem que o PT hoje ficou com chances mais reduzidas.
“Num processo de negociação, é muito difícil que prevaleça um nome que seja muito identificado com um lado ou com outro”, avalia o líder do PSB, Renato Casagrande (ES). Nesse sentido, dois nomes estão sendo considerados hipóteses mais remotas: Chinaglia, por ser líder do governo, e José Carlos Aleluia (PFL-BA), por ser o líder da minoria.

Temer
Por conta desse raciocínio, cresceu na manhã de ontem o nome do presidente do PMDB, Michel Temer (SP). Temer já presidiu a Câmara. Seu partido é da base do governo, mas ele forma o bloco peemedebista independente. E, no episódio Severino, o PMDB manteve-se mais afastado: não esteve na linha de frente do movimento para cassá-lo, mas acabou encampando a ação depois do aparecimento do cheque do empresário Sebastião Buani. “Temer ficou forte até os demais deputados começarem a perceber que a sucessão já estava acontecendo para valer. Aí, outros nomes posicionaram-se”, resumiu o líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ).
Primeiro a alçar vôo, Temer foi o primeiro a ser bombardeado. O PMDB ficaria poderoso demais com a presidência das duas Casas do Congresso. Temer ainda é um nome forte no páreo, mas há outros. Nonô é a aposta do PFL, e encontra algum amparo em outros partidos pela postura respeitosa que vem mantendo com relação a Severino.
Entre os pefelistas, há ainda Roberto Magalhães (PE). No PT, além de Cardozo, Chinaglia e Sigmaringa, há o nome de Paulo Delgado (MG). No PSB, concorrem Eduardo Campos (PE) e Beto Albuquerque (RS). No PCdoB, Aldo Rebelo (SP). O PSDB lançou Jutahy Magalhães (BA) sem muita convicção. Alceu Collares (PDT-RS) lançou-se, sem grandes chances. E o baixo clero insiste em manter-se na disputa. Seu nome: o ex-presidente da Câmara Inocêncio de Oliveira (PL-PE).

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