segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Cassação será pedida amanhã

A oposição não recuou da decisão de entrar com ação contra Severino Cavalcanti, apesar da posição branda dos governistas. Preocupação agora é com a sessão que julgará Roberto Jefferson

Rudolfo Lago e Alon Feuerwerker

Correio Braziliense, 12 de setembro de 2005 - O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), não conseguiu assustar ou comover os partidos de oposição. Apesar das suas explicações e do laudo pericial que encomendou apontando para a possibilidade de ser falso o documento apresentado pelo empresário Sebastião Buani, o plano permanece o mesmo: na terça-feira, os partidos entrarão com uma representação contra Severino no Conselho de Ética da Câmara visando a cassação do seu mandato.
O principal trunfo apresentado por Severino na entrevista de ontem foi um parecer técnico que apontava para possíveis indícios de falsificação no documento assinado por Severino, quando era primeiro-secretário , que autorizava a prorrogação do contrato com Sebastião Buani para a exploração dos restaurantes e lanchonetes da Câmara. “Laudos técnicos existem para todos os gostos”, respondeu o vice-presidente do PPS, Raul Jungmann (PE), lembrando que a revista Veja também apresenta um parecer com resultado oposto, que atesta a autenticidade do papel. “Essa é uma questão para ser resolvida pela política, que não atrasa nem atrapalha a representação da oposição. O fato é que Severino perdeu a confiança dos seus pares, e há uma acusação grave contra ele”, disse Jungmann.
“Isso não muda nada”, emendou o líder da Minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (BA). “Vamos entrar com a representação, e ele terá amplo direito de defesa.” Aleluia ainda criticou o fato de Severino buscar escorar-se no governo e no presidente Luiz Inácio Lula da Silva para escapar da cassação. A conversa prévia de Severino com o ministro de Relações Institucionais, Jaques Wagner, provocou estranheza. “Está evidente que o presidente Lula decidiu apoiar Severino”, criticou. Para Aleluia, a defesa de Severino foi “uma peça de advogado, montada para construir uma versão de tentar desqualificar as robustas provas testemunhais e evidenciais que existem”. Apesar do encontro de Severino com Jaques Wagner, o líder do PSDB, Alberto Goldman (SP), ainda acredita na possibilidade de ter o PT ao lado dos demais partidos que pedirão a cassação. Goldman lembra que, na sexta-feira, foi procurado pelo presidente do PT, Tarso Genro, para discutir a sucessão de Severino. “Ele me telefonou para discutirmos os critérios da substituição. É razoável supor que ele estivesse convencido, então, da necessidade de substituí-lo”, pressionou o líder tucano.

Mais brandos
As posições dos governistas após a entrevista , porém, não autorizam a conclusão de Goldman. Mais brandos, eles acenaram com um voto de confiança ao presidente da Câmara, apesar de cobrarem uma investigação independente do caso. “Ele empenhou a palavra dele e é o presidente da Câmara. O que vai conduzir esse processo são fatos e provas. Temos que priorizar a investigação”, disse o líder do governo Arlindo Chinaglia (PT-SP). “De um lado, há uma acusação grave. Do outro, uma negativa cabal. Estamos tentando fazer uma reunião emergencial com todos os partidos amanhã. Vou defender que se delibere por uma investigação rápida, em 48 horas, com perícias da Polícia Federal, para descobrir quem está falando a verdade”, sugeriu o líder do PT, Henrique Fontana (RS).
Outra preocupação dos líderes oposicionistas é com o fato de Severino ter ficando o pé, recusando-se a se licenciar ou renunciar ao seu mandato. A princípio, a tática oposicionista é esvaziar a sessão caso Severino esteja à frente da sessão. Mas há um temor de que esse gesto possa acabar salvando o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). A votação da sua cassação está marcada para quarta-feira. Diante da possibilidade de acabarem adiando ou, pior, salvando Jefferson, alguns dos líderes oposicionistas estão reticentes. “Quanto a ir ao Conselho de Ética (contra Severino) , não há dúvida. Mas participar ou não da sessão, vamos nos reunir para avaliar como fazer”, disse Goldman. “Vamos trabalhar para que ele não presida. Mas, se ele conseguir apoio e tiver número, entraremos para votar”, emendou Aleluia.
A idéia de Jungmann é que fiquem no plenário os líderes para monitorar os movimentos de Severino. Se ele insistir em colocação em votação, pedirão verificação de quorum. Se ficar claro que há possibilidade de votar, chamam os deputados para o plenário. “Aí, a verificação será uma prévia da cassação. É bom que ajuda a clarear as posições”, comentou.

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